terça-feira, 9 de agosto de 2016

NOS AZUIS DE AGOSTO (Saúdo a vida de Madsa e Thiago, meus irmãos amados, que aniversariam neste mês)




O sol imerge no horizonte vermelho-fogo,
E traz resquícios dos cheiros do outono
Impregnados aos cheiros das cores do inverno
Como quem sente saudade do azul etéreo
Ou saudade matizada de um azul mais terno!

Os poemas que eu lhe escrevia
Tinha as cores de sol das manhãs de verão
E os luares secretos dos olhos de menina,
A ensinar-me a voar doce e exuberante
Nos azuis esvoaçantes de coralina!

Os poemas que eu lhe escrevia
Eras borboletas amarelas esperadas
Como as chuvas no início de agosto
Tinha cheiro de céu nos vitrais
A crepitar seus ventos com gosto! 

Os poemas que eu lhe escrevia
Nas noites claras de luar
Ou à luz amarelada do lampião
Passarinhava de paz a noite
E alegrava de cores o meu coração!

Os poemas que hoje lhe escrevo
Brincam nos azuis das luzes de neon
De uma cidade em constante movimento
Com saudades da simplicidade do azul
Azulando de amor meu pensamento!
                                                               (Maristela Alves)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

AS CORES DE JULHO

                                              As cores de julho são pássaros
Que matizam o céu de anil
Beija-florando os lilases ipês
Na singeleza fugaz da tarde
E voam num canto sereno
De quem espera a chuva
Das manhãs tranquilas de outono
Para desabrochar sorrisos
Nos escarlates do entardecer.

As cores de julho são canções
Que bem te viram desabrochar
Nos rosáceos versos do poema
E araram de felicidade
Nos altos das palmeiras
A espera dos dias áureos
E ensolarados do verão.

As cores de julho são asas
Que douram sabiamente
De paz o infinito
Refletindo beleza e graça
Que só as cores de julho tem.

(Maristela Alves, 25.7.2016)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

ACONCHEGO DA POESIA

                                                                                                            Foto de Rose Lopes Weiss
Quando o verso em fim de tarde nasce
E a felicidade é sol de ouro a se pôr,
Contemplo o amarelo tão seu
Feito arco-íris depois da chuva.
Há paz no aconchego da poesia
Nos versos que voam ao entardecer
A procura do enlace dos seus braços
Num abraço rosado de paz!
A mim, sozinha, fotografo o sol
Agora num lúrido amarelo trigo
No dissoluto da despedida
Como trem a sair da estação.
Se o adeus na tardança se faz
A dor no coração se expande
E explode estrelas cadentes.
Te respiro pouco a pouco
Nesse arfante sol poente
Onde o cheiro de inverno e
De sereno ralinho que chega
Se faz inebriante
Nas asas silentes da noite!
Embriaguei-me das belezas
Escondidas misteriosamente
Neste fim de dia
Que dança majestoso
E faz do poema boemia
Para lhe encontrar!
                                            (Maristela Alves)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

NA PAREDE O RETRATO É POESIA (Nesse dia que é tão meu)

O retrato na parede já amarelecido
Poetiza a alegria velada da moça
Onde borboletas amarelas voam
Nos lilases desbotados da moldura.
Nenhum sofisma traz nos olhos
Ou nos traços delicados de outrora,
Onde a elegância musicaliza
Seu sorriso com asas de paz.
O sol já espreita pela janela
Desejando aquecer com cor
Seu coração borboletado.
O cheiro avelhentado da sépia
Tremula como flor de ipê florido
Levada pelo vento da manhã.
Teço saudades douradas
Da moça com cheiro de vida
De cabelos encaracolados
Que usava o silêncio para ouvir
O que dizia seu coração.
Na parede o retrato
É poesia que sorri!
                                             (Maristela Alves, 13.7.2016)