quinta-feira, 31 de março de 2016

O CHEIRO MORENO DO AMOR (Gostoso de sentir)

                                                                                                            Créditos imagem: Bérgson Romero Sampaio


Contemplava as cores da escuridão

Quando o amor resplandeceu

Em fagulhas douradas de sol

E vermelho carmim de arrebol!



Nas asas a leveza e o perfume

Das noites escuras de outono,

Um arfar de graciosa melodia

Desenhava no escuro a alegria!



O cheiro moreno do amor

Envolveu-me de soslaio,

Voava em meio à escuridão

Feito segredo no coração!



Coloriu de luz a negra noite,

Como música presente na poesia,

Voou nos versos musicais,

Como saudade a beira do cais!



Abraçou-me com asas de sol

E encheu de estrelas o meu céu,

Mas, como beija-flor no jardim

Voou, levando meus sonhos de mim!



O cheiro moreno do amor ficou

Na escuridão que se seguiu,

Como gotas azuis de cristais

Refletia comigo os meus ais!



Quem sabe um dia ele volte

Para colorir a noite de perfume,

Ser arco-íris no meu coração,

E ser meu sol, minha amplidão!

(Maristela Alves)

segunda-feira, 21 de março de 2016

OUTONO ( Mudar de idade é como ter cheiro de umbu nos lábios...À Cleuma, prima querida)

O outono brinca com o vento
E esvoaça os meus cabelos
Como folha voante pelo azul.
Muda minha idade
Beijaflorando minha alma,
Mas, perfuma de sol
A melhor parte de mim,
E me faz assim,
Silente, dourada!
Não importa a estação,
Voo neste azul
Sem direção,
Renovo,
Torno-me canção!
Bordo poesia
No limiar
Doce do dia
E pinto meus sonhos
De borboletas
Com cheiro de mar!
                                                                       (Maristela Alves)



quinta-feira, 17 de março de 2016

A MENINA QUE MORA EM MIM (Ter uma menina dentro de mim é ter o dia mais feliz da vida, todos.)


Gosto da leveza da menina
Que mora em mim,
Que brinca ao vento,
E que borboleta feito flor
Dentro da beleza do outono!

Gosto da leveza da menina
Que mora em mim,
Que tem a doçura do pôr do sol
E que ama como ama o amor,
Que me fala com o silêncio
E que me abraça com olhos de paz!

Gosto da leveza da menina
Que mora em mim,
Que tem estrelas no sorriso,
Que como pássaro
Faz serenata na madrugada!

Gosto da leveza da menina
Que mora em mim,
Que não desiste de ser menina
Quando teimo em ser adulta
E que se faz alegria
Quando as vezes sou tristeza!

Gosto da leveza da menina
Que mora em mim,
Que me olha com encanto
E acalenta minha alma
Quando brinco com a idade!

                                                              (Maristela Alves)

segunda-feira, 14 de março de 2016

BURACO DAS ARARAS (Ao amigo Berson Sampaio pelas belas imagens/2013)


O espetacular Buraco das Araras


Localizado no meio do cerrado sul-mato-grossense

Em Jardim/MS, de maneira excepcional!



Considerado a maior “dolinada América Latina,   

De acordo com a portaria do IBAMA  

Possui cerca de 500 metros de diâmetro

E 127 metros de profundidade, que fama!



O nome Buraco das Araras

Dá-se por ser uma área de reprodução

De diversas aves, em especial,

A arara-vermelha, ameaçada de extinção!



As araras-vermelhas majestosas,

Fazem espetáculos deslumbrantes,

Misturadas à flora tão particular,

Desse local todo exuberante!



Há ainda um grande lago

Habitado por Jacarés do papo amarelo,

Um passeio pela trilha, e dois mirantes,

Perfeitos para apreciar esse mistério!



                            (Maristela Alves 29.7.2013)

segunda-feira, 7 de março de 2016

NO SILÊNCIO DAS MANHÃS



Imagem de Rose Lopes Weis
O amor brinca nas manhãs perfumadas,
Enquanto minha alma vê o céu prateado
Tornar-se azul no final do verão,
Já sinto o dourado do outono nas folhas
E dentro do céu as cores do seu coração!

Um frêmito suave me envolve,
Enquanto borboleto, efêmera, em cores,
A espera de uma estrela cadente,
Perco meu chão melancólico
Vendo-lhe chegar, assim, sorridente!

Tua beleza de sol enche o outono
Enquanto as cores de abril se aproximam
Com perfumes inebriantes de jasmim,
Vou criando asas para lhe abraçar
E perfumando suas cores em mim!

Todas as suas horas são beijos
Que silenciam o poema já pronto
Vestido de chuva da tarde,
Faz-se ocaso alaranjado
Dentro do coração do céu, que arde!

E o céu, de um coração azulado
Passarinha ternas melodias
No silêncio das manhãs,
Enquanto vens colorir meus sonhos
De amarelo dourado e hortelãs!

Um menino com brilho nos olhos sorri
Com saudade no olhar adocicado
Feito pétalas de girassol,
Lá fora choveu na tarde
Em mim fez, suavemente, sol!
                                                    
                                                   (Maristela Alves)


quinta-feira, 3 de março de 2016

O CABRA ARRETADO ( À paim ,in memorian, e seu jeito baiano gostoso de ser)

                                                                                                                               Imagem do Blog luz de Fifó


Seu Bichano andava indagando
Se era aquele filho duma égua
Que andava de cerca lourenço
Com a bela rapariga, sem trégua!

Seria o xibungo de sempre
Ou o seboso pra lá de ordinário,
Que falava mais que a nega do leite
Criando seu próprio vocabulário!

O dito, cheio de nove horas
Nem um tapa numa brofeta valia,
E ainda queria ser o dono
Da alma suspirante da bela Maria!

E se seguisse assim o desmazelado
Levaria um, no pé do ouvido,
Era só o tempo de descobrir
Quem era o cabra da peste atrevido!

E assim continuava de butuca
O cabra retado da moléstia,
E o danado nem tchum pra ele
Namoricava a rapariga de réstia!

E uma sapituca desvarada
Encafifava seu lado macho português,
Naquele Cafundó dos Judas
De cabra arretado,matuto, santanês!
                                                           (Maristela Alves)