sábado, 30 de janeiro de 2016

A POESIA QUE GUARDA PALAVRAS(brincando com o vocabulário do Prof.Pedro Demo)



Alinhavo versos nos ensaios finos da poesia
Como quem costura o encalacrado tempo,
Sem espaços para trambiques ou quinquilharias
Só o almágema de corpo e alma eu contemplo!

As palavras desvelam o silêncio insofismável
Enquanto invade a noite inarredável lá fora,
No acinte imaginário do poeta, voo alargado,
Desconstruindo enganos crassos de outrora!

Sou leso nessa coisa de tecer veleidades ineptas
Mesmo nas trincheiras desacertadas da alma,
Ensaio hábitos mais interessantes no poema
Como chuva fina que desvela e acalma!

O azul da noite veste minhas mãos de estrelas,
Tira de mim o exacerbado medo da solidão,
Já não sou vassalo de fórmulas prontas da vida
E nem aprecio os crassos enganos da escuridão!

Longe de ser um repositório de mazelas
Embeveço-me na tessitura das palavras em fineza,
Sozinho, nada sou nesse céu coalhado de estrelas,
A noite torna-se autora de esdrúxula beleza!

Emulo na similitude dos versos do poeta,
Sem crucificar unilateralmente as flores
Contorno riscos imbecilizantes da vida,
Reconstruo na falta de criatividade dos amores!

Assim, desvelo doces laivos de pensamentos
Que, exitosamente, passeiam em mim,
Busco meu coração em outros horizontes,
E na feitura dos versos torno-me jardim!
                                                             
                                                   (Maristela Alves)

sábado, 23 de janeiro de 2016

MISTERIOS DA APERTADA RUA

                                                              (Por Maristela Alves) 
A apertada rua guarda seus mistérios


Nas pedras e na leveza agora meio rara,
Numa fusão de cores e raios solares
Daqueles que nem ao arco-íris se compara!
Inicia timidamente, quase escondida,
E transforma numa magnitude sem fim,
Parece mais uma estradinha de pedra esculpida,
Cravada na serra, vestida de verdura e carmim!
Nela me vejo lentamente a caminhar
Embriagada pela exuberância e precisão
De cores que se movem como música
Entoando sons que fazem parar o coração!
Cheiros de flores exóticas baila no ar
Como bailarina que dança em dia de festa
Enquanto a ruazinha serpenteia serra acima
Ao chilreio dos pássaros em harmoniosa seresta!
A beleza da apertada rua me encanta
Como se de fato eu caminhasse para Deus,
Já não sinto as pedras nos meus pés
Mas a paz que emana dos ruídos seus!
Deixo-me levar pelos encantos da rua
Voo como borboleta na imaginação,
Vejo o mar se descortinar a minha frente
E extasio-me na paz dessa imensidão!
                                                  (Maristela Alves)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

FLOR QUE BRILHA (Para Sandra Campos, pela passagem do seu aniversário).



Quisera eu ser flor que brilha
E ter encantos guardados com precisão,
Ter música nos lábios quando fala
E ter amor sem fim no coração!

Quisera eu ser flor que brilha
E ser cultivada com toques suaves de Deus,
Ter a paz nos olhos quando os abre
E ter firmeza na voz em meio aos seus!

Quisera eu ser flor que brilha
E no primeiro mês do ano aniversariar,
Ter sol brilhando num céu de azul anil
E ondas na praia o dia todo a festejar!

Quisera eu ser flor que brilha
E ter sonhos suspensos de outrora,
Trilhar por caminhos nunca imaginados
E colher as cores que brilham na aurora!

Quisera eu ser flor que brilha
E ter asas que borboletam assim,
Ter perfume que abre em abraços
E ser mais que flor, ser jardim!
                                        
                                                                                      (Maristela Alves)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O POEMA AFLORA SUAVE POR DENTRO DO VENTO

                                                   (Imagem de Maristela Alves)

O poema aflora suave por dentro do vento
Rabiscando no papel um azul cheio de asas,
Enquanto os pingos ensaiam passos de chuva
Onde espelha um céu outrora adormecido
Teço nuvens e palavras para adormecer,
Mas, as palavras voam entre as vidraças,     
E varrem dos meus olhos o sono da madrugada
Como costureira que cose a luz da lamparina!
Soletro a doçura das horas e não resisto,
Passeio em mim, às lembranças do azul,
Abro as gavetas dos pensamentos guardados
Agora tão cheias dos segredos incompletos.
Entro e saio dessas gavetas que o tempo velou,
Como quem reflete o céu no ruflar das asas,
Rego de lágrimas as nuvens que teço
E que te faz azul a varrer o meu sono!
Há sempre uma doçura de outras horas
Que cresce dentro da chuva deste dia,
Decifro cada pedaçinho desse céu
Como vento que há dias ronda a casa,
Como cores nas tardes mornas de janeiro,
Como sabiás que daqui se ouvem,
Como regaço a aguardar-te quando vais...
O poema aflora suave por dentro do vento!

                                                                                                              (Maristela Alves)