Encontrei o amor todo faceiro
Arrastando o pé, seresteiro,
No arraiá do santo
casamenteiro,
Lá pras bandas do grande cajueiro!
Estava de mãos dadas todo prosa
Com uma dama, de fato, formosa,
Trazia na lapela uma pequena
rosa
E no chapéu uma fita airosa!
Sua alegria ali era contagiante,
Fazia eterno aquele instante,
Arrastava o pé de modo
empolgante
Com a dama, todo apaixonante!
Teria Santo Antônio colaborado
Para que o amor ficasse
enamorado
Ou a dama com o olhar engateado
Teria seu coração flechado?
E quem seria aquela dama em
flor
Que acendeu a paixão no amor,
Que rodopiava com esplendor
Ao som do sanfoneiro cantor?
Que tinha olhar tímido de lua
E sorriso que no céu flutua,
Que deixava a alma toda nua
E o coração saltitante na rua?
Ah, quem me dera ser a donzela
Pintada pelo amor em aquarela,
Ser poema cantado em capela,
Ser borboleta pousada na
janela!
(Maristela Alves)