quinta-feira, 27 de abril de 2017

O APANHADOR DE MARGARIDAS(Deixa eu ficar olhando mais um pouco...que é para guardar.)

Afastou-se da janela escondendo um sorriso,
Era apenas um sorriso, nada mais,
Mas no coração voava borboletas
Tão amarelas quanto as margaridas
Que floresciam nos dias de dezembro!
Só um sorriso,
Daqueles que saem correndo,
Balançando como pássaro que alça voo.
Nidificou de amor quando o viu ali
Colhendo margaridas na chuva
Com o vento batendo no rosto
Como se fosse dia ensolarado!
O que mais lhe encantava
Era a ternura que ele tinha nas mãos!
O apanhador de margaridas
Dançava na chuva,
Sonhando seus sonhos
Outrora tangíveis no horizonte,
Agora, necessitando voar,
Enquanto as margaridas
Nos braços salpicados de prata,
Realizavam os seus.
E ela... também sonhava!


                                                       (Maristela Alves)

segunda-feira, 10 de abril de 2017

SEU EDSON (Que recebeu o convite de Deus e foi morar no céu)

Nas páginas ondulantes colhia segredos
Dos tempos em que musicava a vida,
Sorria como folhas levadas ao vento
Era poesia nas contradições da lida!

Seus sábados desenhavam alegrias
Nas músicas instrumentadas de outrora,
E seguia vislumbrando seu brilho de paz
Nos discos que dançavam na vitrola!

Pedaços de sol invadiam sua janela
Ao som das primeiras horas do dia,
Festejava a vida com café quentinho
E com palavras cheias de sabedoria!

Aprendeu com os seus descaminhos
A vislumbrar das estrelas o brilho,
E como se guarda fotos em gavetas
Guardou o choro, como o trem o trilho!

E quando a música se fez anjo lá no céu
Fez brotar bailarinas em meu jardim,
O músico que antes recebia aplausos,  
Hoje é anjo tocando flauta para mim!

                                      (Maristela Alves, 10/04/2017)

terça-feira, 4 de abril de 2017

MÃOS QUE CARREGAM SEGREDOS(A beleza chega com a maturidade)

                                                                         (Imagem de José Medeiros)
As mãos que carregam segredos
Nas linhas que o tempo marcou,
Pousam nos azuis celestes do dia
Outrora tão cheias de vigor
Hoje, com leves toques, contagia!

Quando essas mãos saem a passear
E voam coloridas de doce arco-íris
Me detenho, fugaz, a observá-las,
E as reconheço ali deveras pousadas
Como se o sol estivesse a dourá-las!

Como asas que repousam da viagem
Cansadas de bordar em vão o futuro,
Guardam segredos além do horizonte
Tão pálidos como a cor do trigo a bailar,
Tão certos como águas que fluem da fonte!

Por muito tempo fiquei a observar
Tentando desvendar algum mistério,
Daqueles que dançam ao amanhecer
Embalados por borboletas amarelas
E enfeitam-se de luz ao entardecer!

Mas elas os guardam com maestria
Nas quermesses peroladas da vida
Com nuances das cores do tempo,
E quando se vestem de chita florida
Parece que trazem distante alento!

As mordazes marcas que o tempo deixou
Não alterou a beleza que pinta o vento,
Unhas sobrepujam coloridas de carmim
E entre os aromas suaves que exalam
Anéis salientam como flores no jardim!

                                                
                                              (Maristela Alves)