Na rua de cristais e de segredos
Florescia frágil uma rosa amarela,
Acomodada no solo macio da vida
Exalava as cores vivas da
aquarela!
Raiava como sol desperto no
horizonte
Em meio a borboletas e
passarinhos,
Era tempo contrário, noite
enluarada,
Era beleza no perfume e nos espinhos!
Por muitos anos floresceu sem
medo
Acreditou nos recomeços e no amor,
Teve a lua como amiga das serestas
Nas noites de aconchego e de
fulgor!
À tardinha vestia-se de
lembranças
Para ver a vida passar em
desalinho,
Um raio de sol esverdeava seus
olhos
Ou azulava de turquesa e de
marinho!
Quando as cores matizaram o
poente
E as crianças corriam felizes
pela rua,
Ouviu a voz do vento a sussurrar-lhe
Sentiu-se bem mais amada que a
lua!
Eram palavras deveras apaixonadas
De um jardineiro outrora enamorado,
Que sentia o perfume suave da
rosa
Que zelava pelo raro, pelo amado!
Suas pétalas converteram-se em asas
Com cheiro de cerrado ao
anoitecer,
Voou insone nos braços do vento
A felicidade embriagava o seu
ser!
Fechou os olhos bem devagarinho
E desabrochou um sorriso fugaz,
Vestiu-se das estrelas do
firmamento
Sem despedida, sem adeus, em paz!
A rua cessou os seus burburinhos
Adormeceu com sentimento de dor,
No céu uma rosa luzia seu perfume
Perfume de eternidade e de amor!
(Maristela Alves,
14.03.2021)
