O inverno
passeia pelas ruas de Veneza
Com uma inquietude quase inexplicável
Como quem procura alguém na multidão,
Ilumina as águas com pequenos cristais
E pinta
de azul o finalzinho da estação!
Contempla a extravagância dos foliões
Com
seus rostos ocultos por máscaras
Ostentando glamour
e sofisticação,
E
lembra nostálgico dos doces tempos
Em que a primavera floria seu coração!
Voa no âmago de um
passado remoto
E se vê, de novo, o jovem
enamorado
Sonhando com sua melíflua
borboleta,
Sorri
um amarelo laranja cor-de-sol
Como antes sorria para a sua Violeta!
Vestida como
Nobre do século XVIII
Máscara dourada realçando a
beleza
Ela exibia encantamento e
vivacidade,
Nas tardes de um azul turquesa gélido
Seus olhares exprimiam cumplicidade!
Iluminados pelas luzes que
entardecia
Os canais com
seus barcos enfeitados
E os sinos guardados pelo anjo
Gabriel,
Declararam um ao outro um grande amor
Como amor versado em poesia de Cordel!
Todos os anos retorna a bela Veneza
E divaga pelas praças
e ruas estreitas
Na esperança de encontrar o seu amor,
Não ouve o ruflar de asa de borboleta
Não há jardim para amenizar a sua dor!
(Maristela Alves, 26/02/2020)
