quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

PERFIL



Fui Tábula rasa numa pedagogia oprimida
E tentaram me aprisionar nesse tal apriorismo,
Mas criei asas que cantam em leves galhos
Para ser papel que permite o rasurismo!

Ser poesia que voa na candura do pensamento
Como quem sonha na reflexionante abstração,
Ter asas como pano-de-fundo que impressiona,
Ser chuva de domingo em meio à globalização!

Zapear num céu de estrelas prateadas
Como quem anseia ser escrita em era digital,
Ser abraço que controla os botões da noite,
Ser tecnologia feito pássaro no quintal!

E, sobretudo, ser memória que passeia
Pela horizontalidade virtual do dia-a-dia,
Não sou grega, nem troiana nessa Odisseia,
Sou Maristela, um dos versos da poesia!

  (Maristela Alves)

sábado, 26 de dezembro de 2015

QUISERA EU

(Foto:Caio Alves)

Nas tardes de janeiro aparecia
Como quem de fato nada queria,
Caminhava com certa diplomacia
Naquela rua deveras tão vazia
E me encantava com a sua calmaria!

De longe eu com o olhar o seguia,
Gostava daquela silhueta toda esguia
Que em meio a pensamentos se perdia
Caminhando ao som da Ave-maria
Que o sino da igreja replicava em harmonia!

Quem de fato então seria?
E porque só de tardinha aparecia?
Será que para sentir do mar a maresia?
Para receber de Deus sabedoria,
Ou para pensar no que a noite escreveria?

Quisera eu ser a musa que inspira a sua poesia,
Que ao fim do dia os seus sonhos roubaria,
Estar em seus pensamentos todos os dias,
Compartilhar da sua sabedoria
E pela rua caminhar em sintonia!

Quisera eu ser a música que ouviria,
Ser a paz que aos poucos lhe traria
Ao descansar na rede que o embalaria,
Olhando o sol que ao longe se poria,
Dando lugar a noite que tão logo chegaria!

Quisera eu cedinho ser o seu bom-dia,
Ser o bálsamo que seu coração aliviaria,
Encher o seu coração de calmaria,
Ser a vida que a cada dia viveria,
Ser seu amor, sua Maria!

                                               Maristela Alves

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

NOS BRAÇOS DA SAUDADE ( Em homenagem ao meu pai que aniversariava em 23.12)



Quando a saudade abraça apertado
E o coração apequena dentro do peito,
Dá uma vontade de voar em seus braços
Como música que encanta do seu jeito!

E quando ela traz dentro do abraço
As recordações dos momentos vividos,
É como se revivesse na alma, alguém,
E os sorrisos jamais esquecidos!

Mas, quando, mais do que momentos vividos
Queremos a presença querida desse alguém,
A saudade torna-se companheira preciosa
A encantar-nos do horizonte ao além!

Aflora, então, uma emoção diferente,
Uma felicidade que agiganta o coração,
É como se o tempo não tivesse passado,
E no álbum não houvesse recordação!

Consola-me as lágrimas que nascem dos olhos
Que chovem feito chuva na primavera,
E o sorriso que me brota dos lábios
Quando danço sendo par da aquarela!

Bom seria que o adeus não existisse
E a saudade não viesse do infinito abraçar,
Que soubéssemos amar sem demagogias
Para o amor no coração eternizar!

                                                             (Maristela Alves)

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

LÁGRIMAS DE CHUVA

(Foto:Maristela Alves)

Num dia assim, cinzento,
Eu vejo o sol descortinando
Misteriosamente lá fora,
Feito folha solta
Bailando airosa ao vento.
Ouço o bem-te-vi bentivar
Numa fascinação de promessas,
Como quem traz o segredo dos sorrisos
Ou se veste de véu da alma.
Como poesia nas tardes quentes
Torno-me melodioso afeto
Dos teus passos ternamente fugidios.
Espero nas sombras das horas
A graça indizível da primavera
Multicolorida de perfumes
E quieta... muito quieta,
O olhar estático da aurora.
Não te delongues no caminho
Tenho lágrimas de chuva
Para te colorir de arco-íris!

                                    (Maristela Alves)

sábado, 12 de dezembro de 2015

TUA AUSÊNCIA


Quando te delongas na caminhada
E não consigo ver os teus sinais,
É como se de mim voasses
E fosses além dos meus ais!
Quando te ausentas dos meus dias,
Recluso em seus tantos afazeres,
Voo em busca de sabedoria,
Para entender os meus quereres!
Mas se de mim nada encontro
Para acalentar este coração,
Voo em busca da poesia
E nela o que há é solidão!
Não estejas longe de mim um só dia,
Não te ausentes de mim assim,
Porque, não sei dizê-lo, é longo o dia,
E um imenso vazio toma conta de mim!
Venha, ainda que por um fugaz instante,
Só para eu saber que estás em mim,
Depois vá de encontro aos seus anseios
Como beija-flor que beija a flor no jardim!

                                    (Maristela Alves)