(Imagem fonte:https:papodehomem.com.br)
Prostado no divã, aborda seus medos,
Confinado
em um passado macambúzio
Não
ouve a chuva que entardece lá fora,
Nem
vislumbra o amarelo das borboletas
Que
costuram o colorido em sua janela!
Entristecido
por ainda ter na algibeira
Quinquilharias
que aflingem a sua alma
Sente-se
enclaurado dentro do tempo
Enquanto
um candeeiro derrama na sala
Tremeluzentes
frisos da noite que advem!
Exprime
sua agonia qual música trovejante
Em
quarto nauseabundo de pensão antiga
Vagueando
ecos pelos silentes corredores
E
preso nas costuras mal feitas do tempo
Não
contempla as réstias de luz no vitral!
Dentro
das masmorras áridas do passado
Fala
dos débeis desalinhos que insistem
Em
tolher as esperanças ainda presentes
Nas
silentes ladainhas rezadas pela mãe
E
veladas na solidão que insiste em ficar!
Fala
com olhos desacostumados de amar
Dentro
da tristeza que lhe assola a alma
E
enquanto ela deslucida o seu inconsciente
Analisando
birrazmente os seus abismos,
Sente,
então, a chuva que anoitece lá fora!
(Maristela
Alves, 16/03/2022)




