sexta-feira, 30 de outubro de 2015

O PRESENTE (Como braços feito abraços)


                                       Quisera eu poder agora lhe presentear
Com uma tarde cheia de tranquilidade,
Como a beleza que enche o outono
Feito flor abraçada pela felicidade!

Quisera eu poder agora lhe presentear
Com um abraço suave e demorado,
Como o sol que chega mansamente
Feito anjo de cabelo encaracolado!

Quisera eu poder agora lhe presentear
Com a minha talvez esperada presença,
Como chuva no sertão nordestino
Feito prêmio pela minha ausência!

Quisera eu poder agora lhe presentear
Com a certeza de um amor maduro,
Como asas que repousam da viagem
Feito luz que ilumina no escuro!

Mas, posso agora lhe presentear
Com o voo charmoso do beija-flor,
Com o orvalho da noite enluarada,
Com um coração puro, sem rancor!

Também, com a insistente saudade,
Com a minha despreocupada alegria,
Com a essência além da casca,
Com a minha constante poesia!

                                                                          (Maristela Alves)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

GUARDE (O abraço apertado)

Se o sabiá na madrugada vir cantar
E se por acaso acordado se encontrar,
Guarde o encanto de sua melodia,
Guarde seu canto por todo o dia!

Mas se acaso for um bem-te-vi
Contando que me viu por aí,
Guarde-me no seu coração,
No cantinho sagrado da emoção!

Quando no céu araras vir passar
Gritando seu amor de par em par,
Guarde essa tal felicidade,
Mas, guarde também a saudade!

E, se acaso, for um beija-flor
Que vistes a beijar a linda flor,
Guarde o encanto do beijo,
Guarde no peito o desejo!

Quando a borboleta amarela
Inesperadamente pousar em sua janela,
Guarde a emoção, beba do improviso,
A metamorfose foi preciso!

E nas noites claras de luar
Ponha-se ao céu admirar,
Guarde o brilho das estrelas
Guarde a paz que tem ao vê-las!

E se um dia, acaso me encontrar
Abra os braços para me abraçar,
Depois guarde o abraço apertado
No coração de novo selado!
 
                                   (Maristela Alves)

domingo, 25 de outubro de 2015

DE JOELHOS NO CHÃO ( A simplicidade do amor)

                                                                                                                  (Créditos da Imagem por José Medeiros/Facebook)

                             Foi dentro do sono que marcava minha prece
Que passeei pelas lembranças da infância,
Lá fora a lua brincava de esconde-esconde,
Onde o candeeiro brilhava com importância!

Quando a tarde despontava no horizonte
Ela enrolava o rosário nas mãos em prece,
Ajoelhava no chão de terra batida,
Os dedos tecia a oração que hoje enternece!

 Eu sei que estava dentro das contas,
O vento que rondava o quarto me contava,
Ouvia meu nome sendo suavemente soletrado
Enquanto o rosário pelos dedos caminhava!

Os joelhos colados ao chão não titubeavam,
Reinventava as tardes que o tempo trazia,
Flutuava nas asas que Deus lhe deu
Tão frágil em meio às orações que fazia!

Eu, de soslaio, procurava as suas asas,
Na noite que chegava às terras daquele chão,
Nada sei de anjos, só da hora da prece,
E dela que ajoelhava também com o coração!

Cresci vendo o poder que tem a oração
Quando feita de joelhos, em reverência,
Agora entendo o tempo que ela ganhava
Quando orava a Deus com tanta fervência!

E quando deitada na maciez da minha cama
Adormeço e deixo minha oração pela metade,
Recordo-me dos joelhos prostrados no chão,
Aquilo sim, era falar com Deus de verdade!

                                                                                                     (Maristela Alves)

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

SER MENINA (À amiga Kitty que anda apaixonada pelo Planalto Central)

(Foto: Maristela Alves)
                                         Surfa nas nuvens claras do céu azul
De sexta-feira no Planalto Central,
Enfeita-se de branco que encanta e
Cheira à alface colhida no quintal!

Traz segredos no rosto que brilha sol
Faz-se poesia que pelos olhos rola,
Já não é mais a solidão dos dias,
É em lago azul que transforma agora!

Na capital alegre do seu país,
Seu amado a espera com emoção,
Arruma de leve os cabelos,
No peito bate forte o coração!

Flutua como folha ao vento
Nesse céu de saudade sem fim,
Guarda o perfume e o encanto
Das flores cultivadas no jardim!

Gosta de surfar nas claras nuvens,
De ser chuva em meio à plantação,
Gosta de sentir o vento nas asas
De ser azul na imensidão!

Gosta mais de ser felicidade
Em Brasília ou em qualquer outro lugar,
De andar de mãos dadas com o amor,
De ser menina, de abraçar!

                                                                                     (Maristela Alves)