quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

PRIMAVERA













Como raio de sol nas águas
A primavera vem surgindo,
Reflete as cores do arco-íris
E num silêncio encantador
Amanhece o dia florindo!

Acordou-me mais bonita
O sol batendo no coração,
Floresceu meu caminhar
Trazendo consigo 
Todo o brilho do estação!

Pintor de todas as manhãs
O sabiá amanhece a estação
No céu nuvens matizadas
Feito algodão doce rosado
Floresce o mais triste coração!

E na brilhosidade do dia
No azul infinito do tempo,
Perfuma as borboletas
Que bailam encantadas
Como pétalas ao vento!

Até o monturo renova
Feito caminho de helenas,
Flores lilases se abrem
Os perfumes se espalham
Nas madrugadas serenas!

Quão maravilhoso seria se,
Ao chovesse dentro de nós,
Brotasse a primavera.

Aprecio as flores e sorrio...
"Que triste não saber florir!".

                              (Maristela Alves, 18.10.2018)


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

ESTERZINHA


Enquanto os dedos da primavera
Acariciam as tardes de outubro
Como flor afagada pelo vento,
Esterzinha borda suas estrelas
Desfolhando as pétalas do tempo!

As rugas pintadas em seu rosto
Doces pétalas molhadas de orvalho
Memórias indeléveis de sabedoria,
Contam histórias outrora douradas
Que em livro algum caberia!

Os cabelos prateados de agora
Recitam poesia em ladainha
Nos contornos de suas ilusões,
O sorriso marcado no rosto
Enche de paz nossos corações!

Mãos com cheiro de terra molhada
Que em nada lembra a juventude
Tem apenas a duração do instante,
Voam como borboleta a luz do sol
Nas rugas do entardecer brilhante!

E como romaria em ruas indecisas
Que fica feliz em ver nascer o sol
Caminha seus passos semânticos,
Dá graças a Deus pelo dom da vida
Entoa baixinho sagrados cânticos!

Esterzinha tem mesmo muita sorte
Ganhou de Deus a verdura do tempo,
O desabrochar a cada nova estação,
A capacidade de sempre recomeçar
E o esperado milagre da renovação!

... o tempo que lhe sorri com alegria!

                                            (Maristela Alves, 08.10.2018)

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

A MOÇA NO CAMAFEU (Pelo aniversário da minha moça)


Baila célere nas horas douradas
Mistura de borboleta e mulher
Como poesia cantada de Orfeu
Iluminada pelos raios do sol
Imortalizada num camafeu!

Quando de soslaio vê o tempo
Na palidez noturna da lâmpada
Tem prazer na contemplação,
Do âmago dos seus sentimentos
Dá asas rosadas a imaginação!

Em nada lembra a menina tímida
Que coloria sorrisos às lágrimas,
Feito anjo de asas transparentes
Que desperta o sono do poeta
Ainda me sorri como antigamente!

Qual lírio branco do jardim
Que exala perfume invisível,
Assim a moça do camafeu
Com sua beleza viva de rosa
De amor meu coração aqueceu!

E quando a saudade aperta
Nas tardes amarelas de outubro
Enchendo-me de doce nostalgia,
Busco a moça no camafeu
Que me sorri com olhos de alegria!


             (Maristela Alves, 05.10.2018)

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Borboleta quando voa... Deixa a gente florida!



Ela voava deveras encantada
Queria transpor a música
E alcançar as estrelas do céu!
Um fio de luz coava na janela,
O vestido jazia no prego,
As asas coloridas reluziam
Compondo os seus silêncios!
Por muito tempo ficou ali
Contemplando as cores,
Relembrando sua casinha
E as ledas flores no quintal!
Abrasada de luz celestial
Naquela manhã de setembro
Ultrapassou as janelas abertas,
O sol batia-lhe no coração
Sua alma estava nas nuvens!
Num rufar de asas, floriu,
E a primavera chegou...

Borboleta quando voa
Deixa a gente florida!
                                                       
                                  (Maristela Alves, 24.9.18)

terça-feira, 24 de julho de 2018

ARRAIÁ DA CINHA



No arraiá tem moças bonitas
Vestidas de renda e chitão
De rouge vivo nas bochechas
Com borboleta no sorriso 
Voando no frio da estação!

Com belas tranças nos cabelos
Presas em laços de fita de cetim
Sorriem tímidas para o retratista
Depois correm para o espelho
Retocar nos lábios o carmesim!

O arraiá está todo enfeitado
Com as cores da imaginação
É moça bonita pra todo lado
É rapaz todo assanhado
Com bigode marcado de carvão!

Na vitrola o forró anuncia
Como luz coada pela janela
O jeito simples de ser feliz
Do arrasta-pé do quintal
Ao balão pintado em aquarela!

Lá pras bandas da madrugada
Quando a lua alumia igual fogueira
Tem moça bonita fazendo simpatia
Amarrando o santo virado para baixo
E enfiando faca afiada na bananeira!

Quando a aurora raia no cerrado
O galo canta para o dia acordar,
No arraiá vazio a lua dança brejeira
Tendo só o poeta por companhia
A arte de ser poeta é a mesma de amar!

               (Maristela Alves, 24.7.2018)


domingo, 15 de julho de 2018

A ASA DO TEMPO (Pela celebração dos meus 55)

Não vi quando a asa do tempo
Matizou os meus cabelos
Com a encantada cor da sabedoria
Em suaves nuances prateados!

Não vi quando a asa do tempo
Bordou ao redor dos meus olhos
Elegantes linhas tracejando
Deslumbres em velados desertos!                                       

Não vi quando a asa do tempo
Com afável nobreza de alma
Tocou-me com novos acordes de azul
E dançou como bailarina na caixinha!

Não vi quando o tempo enamorado
Fixou em mim seus olhos de mar
E como luz aliciadora de fotógrafos
Fez-me borboleta com as cores do dia!

Não vi quando a asa do tempo
No mais profundo voo de alma
Apagou as nódoas do passado
No casebre dos meus pensamentos!

Não vi quando a asa do tempo
Amanheceu o dia devagarzinho
Com um encantado sol amarelo
E reluziram douradas nuvens no céu!

Hoje eu vi a asa do tempo
Quando reparei no espelho
E nele refletido um belo poema
Que jamais envelhecerá!

                                    (Maristela Alves)

terça-feira, 19 de junho de 2018

FLORES NA JANELA (À minha amada amiga Anadir que não me esqueceu quando sua janela perfumou em cores e me encaminhou essa belíssima imagem).
























Lá onde a brisa passeia sem pressa,
As flores aproximam da janela
Com cheiro de vida que se abre
Para receber as borboletas
Que trazem as cores do dia!

Voam com uma graça indizível
Espalhando encantos matizados
Como méleas borboletas bailarinas
Que perfumam o caminho do vento
E trazem vida a esse lugar!

Já não chamam minha atenção
As rugas nas pedras da janela,
Mas, o carmesim das suas pétalas,
Sorrindo ao calor abrasado do sol
Como sinos tocando em Jerusalém!

Na varanda o odor inebriante
Reflete o caminho do vento
E desvenda o segredo das flores,
Nos olhos do poeta há borboletas
Seu coração desmancha em ternura!

Quem sabe numa outra varanda
A manhã também se abra em flores
E um colibri atraído pelo perfume
Se vista com a intensidade das cores
E brilhe com as matizes dos raios de sol
Enquanto a vida passa num frenesi!
                                      

                                                      (Maristela Alves)