Crédito da foto: Dasayev Teixeira
Ela acordou borboleta
E se deixou levar
Na vastidão do céu azul
Como
anjo de asas transparentes!
No desvelo dos seus dias:
Despertou o sono do poeta
Bailando sozinha
Na magnitude prateada
Das noites enluaradas do
cerrado!
Fugiu da chuva,
Abraçou o sol,
De soslaio viu o tempo
Que lhe sorria finamente
E teve
prazer na contemplação!
Costurou sorrisos às
lágrimas
Quando a vida esteve
escura,
Aprendeu a falar em Deus
No silencio do seu quarto!
Desatou
os nós de raiva
Quando
a desilusão bateu a sua porta,
Recolheu os pedaços soltos de si
Em meio às
pesadas nuvens de medo!
Fotografou as palavras
Onde a saudade fez morada,
E
espalhou seus encantos
Nas
insones manhãs de outono!
Aprendeu a caminhar só
Nos meandros do tempo,
Guardou
com esmero suas alegrias
E desocupou-se do passado exíguo!
Acenou entre os muros chanfrados
Dos mistérios
guardados a sete chaves
E sumiu na moldura de luz do corredor
Iluminada apenas pela palidez da lâmpada!
(Maristela Alves,
12.03.2018)

