segunda-feira, 25 de julho de 2016

AS CORES DE JULHO

                                              As cores de julho são pássaros
Que matizam o céu de anil
Beija-florando os lilases ipês
Na singeleza fugaz da tarde
E voam num canto sereno
De quem espera a chuva
Das manhãs tranquilas de outono
Para desabrochar sorrisos
Nos escarlates do entardecer.

As cores de julho são canções
Que bem te viram desabrochar
Nos rosáceos versos do poema
E araram de felicidade
Nos altos das palmeiras
A espera dos dias áureos
E ensolarados do verão.

As cores de julho são asas
Que douram sabiamente
De paz o infinito
Refletindo beleza e graça
Que só as cores de julho tem.

(Maristela Alves, 25.7.2016)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

ACONCHEGO DA POESIA

                                                                                                            Foto de Rose Lopes Weiss
Quando o verso em fim de tarde nasce
E a felicidade é sol de ouro a se pôr,
Contemplo o amarelo tão seu
Feito arco-íris depois da chuva.
Há paz no aconchego da poesia
Nos versos que voam ao entardecer
A procura do enlace dos seus braços
Num abraço rosado de paz!
A mim, sozinha, fotografo o sol
Agora num lúrido amarelo trigo
No dissoluto da despedida
Como trem a sair da estação.
Se o adeus na tardança se faz
A dor no coração se expande
E explode estrelas cadentes.
Te respiro pouco a pouco
Nesse arfante sol poente
Onde o cheiro de inverno e
De sereno ralinho que chega
Se faz inebriante
Nas asas silentes da noite!
Embriaguei-me das belezas
Escondidas misteriosamente
Neste fim de dia
Que dança majestoso
E faz do poema boemia
Para lhe encontrar!
                                            (Maristela Alves)

quinta-feira, 14 de julho de 2016

NA PAREDE O RETRATO É POESIA (Nesse dia que é tão meu)

O retrato na parede já amarelecido
Poetiza a alegria velada da moça
Onde borboletas amarelas voam
Nos lilases desbotados da moldura.
Nenhum sofisma traz nos olhos
Ou nos traços delicados de outrora,
Onde a elegância musicaliza
Seu sorriso com asas de paz.
O sol já espreita pela janela
Desejando aquecer com cor
Seu coração borboletado.
O cheiro avelhentado da sépia
Tremula como flor de ipê florido
Levada pelo vento da manhã.
Teço saudades douradas
Da moça com cheiro de vida
De cabelos encaracolados
Que usava o silêncio para ouvir
O que dizia seu coração.
Na parede o retrato
É poesia que sorri!
                                             (Maristela Alves, 13.7.2016)

sábado, 9 de julho de 2016

AS ONDAS E O MAR


O mar cantava apaixonado no verão
Beijando lentamente as areias da praia
Quando as vi cirandando lindamente
Com suas alvas saias de espuma.
Fascinava-me a sincronia dos passos
E a beleza inigualável da dança,
Enquanto o mar espelhava
Os últimos raios de sol.
Encantava-me o balé matizado
Com nuances de céu,
Ora cobre e violeta,
Ora vermelho e laranja
Do crepúsculo em formação.
Seduzia-me, o balanço do mar
Perdido em doces devaneios
Talvez a sonhar acordado,
Enquanto as ondas de leve
Tocavam-me a alma
E o vento morno
Acariciava-me os cabelos.
Sorri apaixonada,
Apreciando o mar,
Sentindo seu cheiro,
Envolvida pela beleza
Inigualável das ondas.
Desejei que chegasses
Antes do anoitecer!

                                                                              (Maristela Alves)

terça-feira, 5 de julho de 2016

AINDA ME LEMBRO


Ainda me lembro daquele tempo
Em que a via ali,
Tinha a beleza da juventude
Nos gestos delicados de princesa,
O azul do céu nos olhos de paz
E nos lábios uma canção de amor,
Era apaixonado por ela.
Um dia partiu, nada deixou,
Nem o cheiro suave das flores
Colhidas nas manhãs de sol,
Nem a brisa branquinha
Dos dias de chuva!
Sonhava com ela nas noites frias,
Como quem sonha com o infinito,
Com o mar revolto dos janeiros
Ou com as tormentas de março.
O tempo, ah o tempo,
Roubou-me os sonhos
E a vivacidade dos dias,
Mas não me fez esquecê-la!
Hoje minhas memórias me traem,
Mas ainda guardo um sonho,
O de reencontrá-la,
Ainda que no rosto traga
Rugas exaltando sua beleza,
Nos olhos um azul menos vivo
Do céu de anil de outrora,
Nas mãos o tremor da brisa
E nos lábios, agora,
Orações de paz.
Amor talvez seja isso: sonhar! 
                                                               (Maristela Alves).