Na letargia dessa interminável
noite
Pensamentos enfadonhos e
inúteis
Brincam como sentinelas na
escuridão,
Retraçam
asas nos vitrais amarelecidos
Suavemente coloridos à luz do lampião!
Acordes de violão adentram a
janela
A melodia
dissonante verve o silêncio
E caminha aligeirada pela
calçada,
Como sílfide que pavoneia
na insipidez
Do breu negro que faz doer
a alma!
Meu sono voeja como pássaro
noturno
Em meio às débeis luzes da
cidade
E me amanhece brisa azul-turquesa,
O relógio traz as marcas do tempo
Já não dá mais contornos à tristeza!
Olho a rua mal iluminada lá fora
Inalienavelmente alheia aos galos
Que tecem as cores da madrugada,
Cinge-me uma mistura de emoções
Vê-lo ali, recostado, em meio ao nada!
A penumbra cobre os olhos negros
Carregados de fugazes mistérios
Mas não o sorriso de mar
sereno,
Que tira de mim frisos de silêncio
E me confunde com um mero aceno!
Não
sou mais eu no rutilante escuro
Também,
ele, não mais ele no retrato
Que
emoldurava os meus anseios,
A futilidade das
palavras bate asas
Não há, agora, lugar
para devaneios!
Entre os voos
que o pensamento dá
Aproximou-se com
as cores da aurora
E tocou-me os
cabelos com sofreguidão,
Não sei por quanto
tempo nos olhamos
Só sei o quanto
bateu o meu coração!
Sorria
um amarelo violeta cor-de-sol
E
eu queria dançar de tanta felicidade!
(Maristela Alves, 19.11.2019)
