segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

FRISOS DE SILÊNCIO



Na letargia dessa interminável noite
Pensamentos enfadonhos e inúteis
Brincam como sentinelas na escuridão,
Retraçam asas nos vitrais amarelecidos
Suavemente coloridos à luz do lampião!

Acordes de violão adentram a janela
A melodia dissonante verve o silêncio
E caminha aligeirada pela calçada,
Como sílfide que pavoneia na insipidez
Do breu negro que faz doer a alma!

Meu sono voeja como pássaro noturno
Em meio às débeis luzes da cidade
E me amanhece brisa azul-turquesa,
O relógio traz as marcas do tempo
Já não dá mais contornos à tristeza!

Olho a rua mal iluminada lá fora
Inalienavelmente alheia aos galos
Que tecem as cores da madrugada,
Cinge-me uma mistura de emoções
Vê-lo ali, recostado, em meio ao nada!

A penumbra cobre os olhos negros
Carregados de fugazes mistérios
Mas não o sorriso de mar sereno,
Que tira de mim frisos de silêncio
E me confunde com um mero aceno!

Não sou mais eu no rutilante escuro
Também, ele, não mais ele no retrato
Que emoldurava os meus anseios,
A futilidade das palavras bate asas
Não há, agora, lugar para devaneios!

Entre os voos que o pensamento dá
Aproximou-se com as cores da aurora
E tocou-me os cabelos com sofreguidão,
Não sei por quanto tempo nos olhamos
Só sei o quanto bateu o meu coração!

Sorria um amarelo violeta cor-de-sol
E eu queria dançar de tanta felicidade!
                                                              (Maristela Alves, 19.11.2019)