sábado, 30 de abril de 2016

TARDE DE OUTONO

O outono amarelece meu coração
Nessa tarde doce de aragem fria,
O silêncio é discretamente quebrado
Pelo canto solitário de um pássaro
Tão purpúreo quanto o horizonte!
Absorta, nos sonhos de menina,
De quando olhava nuvens de algodão
No céu azulado do meu sertão,
E voava como folhas ao vento,
Sorrio nos mistérios da poesia,
Ainda desejando ser voz que voa
No infinito cristalino de fim de dia
Ou ser farol de amor
Iluminando a bruma macia!
Novamente o silêncio se faz,
O pássaro voou de mim,
Levando o vermelho do ocaso
Na voz de trigo dourado
E nas penas perfumadas de paz!
A noite chega sem discrição,
Tão fria quanto seu silencio
Envolvendo-me suavemente,
Num abraço apertado!


                                (Maristela Alves)
             

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A FLOR E A NOITE



Uma flor dança nas tardes de outono
Azulando de beleza o horizonte,
Enquanto a lua em sua timidez
Desponta palidamente no céu
Num branco-prateado carrossel!

Com seus movimentos esvoaçantes
A flor irradia perfume de mar
Que num abraço apertado
Declara seu amor a areia
Como se fosse encantada sereia!

Na nota dourada da canção
O sol na agonia de roxo tinge as águas
Manchando o azul-cobalto do infinito
Que despede tristemente
Do ocaso alaranjado do poente!

A flor com asas de gaivotas
Dança, esvoaçando à revelia,
Apequenada ante tamanha beleza,
Voa entre o azul do céu e mar,
E vê a noite lentamente despontar!

E a noite ao contemplar-lhe,
Abre extasiada o seu regaço
E deixa cair uma a uma as estrelas,
Enquanto a flor, entre sorriso e cor,
Adormece nos braços do amor!
                                             
                                                                              (Maristela Alves)