Nessa tarde doce de aragem fria,
O silêncio é discretamente quebrado
Pelo canto solitário de um pássaro
Tão purpúreo quanto o horizonte!
Absorta, nos sonhos de menina,
De quando olhava nuvens de algodão
No céu azulado do meu sertão,
E voava como folhas ao vento,
Sorrio nos mistérios da poesia,
Ainda desejando ser voz que voa
No infinito cristalino de fim de dia
Ou ser farol de amor
Iluminando a bruma macia!
Novamente o silêncio se faz,
O pássaro voou de mim,
Levando o vermelho do ocaso
Na voz de trigo dourado
E nas penas perfumadas de paz!
A noite chega sem discrição,
Tão fria quanto seu silencio
Envolvendo-me suavemente,
Num abraço apertado!

