quinta-feira, 14 de outubro de 2021

BELA DENTRO DO PÔR DO SOL (Para a minha Thábatta que por onde passa deixa um rastro de luz e cor).





A tarde sobrevinha nas ruas estreitas

E a cor-de-açafrão que cintilava no céu

Abluía qualquer melancolia de outrora,

Passos soavam entre as casas brancas

E ressoavam nas abóbodas cerúleas!

 

Em algum lugar alguém tocava o alaúde

A vibração das cordas repercutia no ar

Anunciando a doce hora da magnificência,

No horizonte as cores do entardecer

Ofuscavam o azul do mar mediterrâneo!

 

Sentia-se tão bela dentro do pôr do sol

Feito grega no horizonte enrubescido

Perfumando as tardes de novembro,

E sorria, num fio de luz coado de laranja,

Só ela sabia o que a tinha feito sorrir!

 

Os tons de carmim luziam os seus cabelos,

Entremeados pela luz em que se colocara

E alinhavavam os voos lilases do beija-flor,

Olhava o infinito perfumado de entardecer

Com pensamentos ensaiando passos de amor!

 

Debruçadas no parapeito das ruinas inertes

Suas asas transcendiam as cores do poente

E contemplavam os novos acordes do azul,

Tal qual Athenas em seu Parthenon

Impressionava na indizível graça de ser!

 

Ao admirar a bela mulher ali parada

Recordo das nossas noites de acalento,

Dos joelhos machucados da infância,

Das suas mãos entrelaçadas nas minhas

E, também, entardeço ao pôr de sol!

 

                                             Maristela Alves, 03/9/2021


 

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

E QUANDO AS VIOLETAS FLORESCEM





 A primavera amanhece a estação

Trazendo consigo o cheiro do sol,

Esterzinha refloresce os seus anos

Tendo nos olhos um brilho afinado

Que esconde sutilmente as marcas

Deixadas pelos trilhos do tempo!

 

A idade lhe sorri entusiasmada

Brincando de esconde-esconde

Com os passos enlanguescidos,

Mas a memória, ainda moça,

Carrega o frescor da manhã

E caminha em lisura celestial!

 

Os cabelos matizados de prata

Reverberam as cores do dia

E as mãos que lidavam no crochê

Agora acariciam suas violetas

Que ensaiam os pequenos botões

Para a dança das borboletas!

 

Quando dentro da noite que cai

As folhas tremulam atrás do vento,

As violetas ainda sentindo o toque

Desabocham em magnificência

Numa explosão de cores e vida

Presenteando com seu perfume!

 

Nos acordes do dia que amanhece

A profusão de perfume invade o ar,

Esterzinha acordada de emoção

Entretida nos seus sentimentos

Caminha entre o tictac do relógio

E o alegre borbulhar do coração!

 

Inerte diante de tamanha beleza

Sem preâmbulos na contemplação

Curva-se em terno agradecimento,

E na beleza imensurável do momento

O sol debruça-se entre as cores

No esvoaçante encanto da vida!!

 

E quando as violetas florescem

Esterzinha luzidia como arco-íris

Depois da chuva fina da estação,

Torna-se cor, flor, borboleta

E voa suas emoções no infinito,

Ela jamais desiste de amanhecer!

                       

                                         (Maristela Alves, 04.10.2021)