terça-feira, 24 de julho de 2018

ARRAIÁ DA CINHA



No arraiá tem moças bonitas
Vestidas de renda e chitão
De rouge vivo nas bochechas
Com borboleta no sorriso 
Voando no frio da estação!

Com belas tranças nos cabelos
Presas em laços de fita de cetim
Sorriem tímidas para o retratista
Depois correm para o espelho
Retocar nos lábios o carmesim!

O arraiá está todo enfeitado
Com as cores da imaginação
É moça bonita pra todo lado
É rapaz todo assanhado
Com bigode marcado de carvão!

Na vitrola o forró anuncia
Como luz coada pela janela
O jeito simples de ser feliz
Do arrasta-pé do quintal
Ao balão pintado em aquarela!

Lá pras bandas da madrugada
Quando a lua alumia igual fogueira
Tem moça bonita fazendo simpatia
Amarrando o santo virado para baixo
E enfiando faca afiada na bananeira!

Quando a aurora raia no cerrado
O galo canta para o dia acordar,
No arraiá vazio a lua dança brejeira
Tendo só o poeta por companhia
A arte de ser poeta é a mesma de amar!

               (Maristela Alves, 24.7.2018)


domingo, 15 de julho de 2018

A ASA DO TEMPO (Pela celebração dos meus 55)

Não vi quando a asa do tempo
Matizou os meus cabelos
Com a encantada cor da sabedoria
Em suaves nuances prateados!

Não vi quando a asa do tempo
Bordou ao redor dos meus olhos
Elegantes linhas tracejando
Deslumbres em velados desertos!                                       

Não vi quando a asa do tempo
Com afável nobreza de alma
Tocou-me com novos acordes de azul
E dançou como bailarina na caixinha!

Não vi quando o tempo enamorado
Fixou em mim seus olhos de mar
E como luz aliciadora de fotógrafos
Fez-me borboleta com as cores do dia!

Não vi quando a asa do tempo
No mais profundo voo de alma
Apagou as nódoas do passado
No casebre dos meus pensamentos!

Não vi quando a asa do tempo
Amanheceu o dia devagarzinho
Com um encantado sol amarelo
E reluziram douradas nuvens no céu!

Hoje eu vi a asa do tempo
Quando reparei no espelho
E nele refletido um belo poema
Que jamais envelhecerá!

                                    (Maristela Alves)