No arraiá tem moças bonitas
Vestidas de renda
e chitão
De rouge vivo nas bochechas
Com borboleta no
sorriso
Voando no frio da estação!
Com
belas tranças nos cabelos
Presas
em laços de fita de cetim
Sorriem
tímidas para o retratista
Depois
correm para o espelho
Retocar
nos lábios o carmesim!
O
arraiá está todo enfeitado
Com
as cores da imaginação
É
moça bonita pra todo lado
É
rapaz todo assanhado
Com bigode marcado
de carvão!
Na
vitrola o forró anuncia
Como
luz coada pela janela
O jeito
simples de ser feliz
Do
arrasta-pé do quintal
Ao
balão pintado em aquarela!
Lá
pras bandas da madrugada
Quando
a lua alumia igual fogueira
Tem
moça bonita fazendo simpatia
Amarrando
o santo virado para baixo
E
enfiando faca afiada na bananeira!
Quando
a aurora raia no cerrado
O
galo canta para o dia acordar,
No arraiá
vazio a lua dança brejeira
Tendo
só o poeta por companhia
A
arte de ser poeta é a mesma de amar!
(Maristela Alves, 24.7.2018)