terça-feira, 15 de outubro de 2019

O VOO DA BAILARINA (À minha bailarina, pela passagem do seu aniversário)



Com asas de borboleta amarela
Voa graciosa na ponta dos pés,
Borda os contornos da dança
Extraordinariamente bonita
Os cabelos num coque de trança!

No verdor de sua primavera
Borboleta no palco das flores,
Brilha feito fina purpurina
Suspensa na imensidão do céu
Ora estrela, ora bailarina!

Desliza ao som da melodia
Em passos suaves e elegantes,
Graciosamente a vejo dançar
O vento insuflando suas saias
Tecendo seus sonhos de voar!

Baila com a leveza da bruma
E sorriso azulado de safira,
Mas quando toca o chão
Revoa sonhos distantes
No palco de sua imaginação!

Sua delicadeza me mostra
Que o poema também dança,
E que nos mistérios da canção
Onde o tempo não ousa revelar
Sapatilhas desenham no chão!

Vem como a luz da manhã
E traz a brilhosidade do dia,
O seu jeito bailarina de ser
E os calos nos pés me ensinam
Que a arte de perseverar é viver!

Teu voo nessa dança revela
Que o amor floresce na alma,
Que a chuva compõe a canção
Que a beleza é inspiradora
Como as batidas do coração!

Que florir é tornar-se jardim
Quando se tem uma bailarina,
Feito borboleta nas cores do céu
Com as sapatilhas atadas aos pés
Voando harmoniosa ao léu!

Que a música não pare
Durante o voo da bailarina!

                                                 (Maristela Alves, 01.10.2019)

domingo, 13 de outubro de 2019

ESTERZINHA (comemorando suas 77 primaveras, verões, invernos e outonos)


É mulher nordestina,
Sertaneja,
É mulher guerreira,
Não pestaneja!

É mulher religiosa
Nascida em Santana,
É mulher caridosa
De certidão baiana!

É mulher de Deus,
Abençoadeira,
É mulher temente,
Rezadeira!

É mulher frágil
Cheia de medos,
É mulher misteriosa
Tem seus segredos!

É mulher mãe
De sete rebentos,
Mulher querida
De amor suculento!

É mulher presente
Que Deus me deu
É minha mãe
Meu jubileu!

(Maristela Alves)

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

LIMÃO (Amor incondicional)



O pêndulo oscila entre o refúgio
Dentro da manhã aberta de sol,
Nos azuis céreos dos vitrais
Chegou com a cor do arco-íris
Rompendo meus silêncios cruciais!

Já não me sentia mais sozinha
Sua rede de amor me protegia,
Seu jeito todo peculiar de latir
Seu olhar expressivo de festa              
Mudaram deveras o meu existir!

Seu coração esquentou o meu
Nos dias gélidos de inverno,
E no seu colo eu esquecia
Da intemporalidade da vida
Na certeza de que me entendia!

A noite me falava contente
Do seu mundo na varanda,
Dos inquietantes latidos roucos
Dos garis recolhendo o lixo
E da lua falando aos moucos!

Gastava seu latin inteiro
Desconstruindo o tradicional,
E com sua sabedoria canina
Eu aprendia que amar é mais
Que aurora radiosa na campina!

Fiquei pântano sem acordes
Na tarde insossa de agosto,
A luz apagou devagarinho
Semicerrou os olhos enormes
Sem adeus, sem burburinho!

E quando voou na imensidão
Fiquei lua solitária no céu,
Brilhando uma saudade amarela
De quem desaprendeu a sorrir
Vagalumeando como luz de vela!

Eu sei que tudo em mim é
E será eternamente saudade,
Que o guardarei como sol-pôr
Para que eu sorrie ao lembrar
Da enormidade do seu amor...

                                                   (Maristela Alves, 02.10.2019)