segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ONÇA PINTADA

                                                                                                                         Créditos da imagem: Marcelo Oliveira(bugre@terra.com)

Encanta-me a meiguice presente em seu olhar
Como de gata manhosa nas pernas a esfregar,
Assusta-me a solidão que por vezes se deixa ficar
Por muito tempo querendo minha alma sugar!

Encanta-me esse jeito silencioso de ser
Como de noite escura esperando alvorecer,
Assusta-me, o jeito felino que se faz aparecer
Quando por descuido deixo de lhe atender!

Encanta-me a procura por lugares seguros
Longe de caçadores de corações impuros,
Assustam-me esses medos ora taciturnos
Sem reações, sem pressas, tão noturnos!

Encanta-me essa busca tenaz pela liberdade
Em passos seguros a procura da felicidade,
Assusta-me a falta constante de sagacidade
Quando o que lhe importa é a fidelidade!

Encanta-me a curiosidade tão presente
Quando fitas meu olhar assim carente,
Assusta-me a fé inabalável e consistente
Que provoca meu coração e minha mente!

Encanta-me o comprometimento informal
E o sorriso morno descortinado e casual,
Assusta-me a cumplicidade tão natural
Que por vezes me deixa meio sentimental!

Encanta-me estar apaixonado pela doçura
Da gata manhosa e por sua envoltura,
Assusta-me quando em onça pintada se intitula
Ou quando juntas estão meiguice e bravura!
                                                                                                                 (Maristela Alves)

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

CAROL, DUDA E GABI (Tri lindasssss)


Nas asas do sol a emoção de quem recebe
Das mãos de Deus presentes tão especiais,
Daqueles que chegam entregues pela cegonha
De olhares doces e sorrisos angelicais!

A vida chega fazendo barulho na poesia ,
Como versos que nascem e tocam a alma,
Três anjinhos que mais parecem arco-íris
Colorindo depois da chuva que lava e acalma!

Carol, Duda e Gabi sorriem delicadamente,
Dentro da lágrima incontida do poeta,
Quando de mãos dadas com o acaso
Tornam-se estrelas do céu em festa!

São tantos braços no terno abraço
Que os dias nublados ficam coloridos
De serenidade que beijam os olhos
E do cantar bem baixinho nos ouvidos!

Cada uma com a delicadeza da flor
Que desabrocha no início da manhã,
Ora como o brilho dourado do amor,
Ora como o cheiro suave da hortelã!

E quando as vozes entoaram no poema
Choramingando no silêncio das emoções
É como música nos ouvidos do amor
Transbordando por vezes os corações!

São três anjos bem distintos
Enviados neste mundo para abençoar,
Duas pessoas escolhidas por Deus
Para na candura aprender o que é amar!
                           (Maristela Alves)

terça-feira, 3 de novembro de 2015

MULHER DE QUARENTA (Em homenagem a amiga Vanessa que chega à idade da loba)



Enquanto lá fora os pingos ensaiam passos de chuva
Acordo radiante como o sol que teima em aparecer,
Quem sabe não é o frescor dos quarenta que chega
E invade a alma como pôr de sol ao entardecer?

Então me coloco a refletir sobre os anos passados,
A infância agora tão distante me enternece,
E a mocidade ainda tão próxima me fascina,
Mas os quarenta, hoje, me amanhece!

Achava que aos quarenta estaria envelhecida
Mas amanheci como as flores da estação
Que brincam de perfumar fazendo graça
Mesmo que o balanço às vezes as joga no chão!

Enquanto lá fora os pingos ensaiam passos de chuva
Acordo em meio aos versos da poesia, aos quarenta,
E pasmem, na folha em branco sou de leve um rabisco,
Sou a lágrima de alegria que o poeta sustenta!

A beleza já era cantada por Roberto Carlos:
“Mulher de quarenta, é jovem bastante,
Mas não como antes, Mas é tão bonita...”
Amanheço mulher de quarenta, radiante!

Que venham os cinquenta, os sessenta,
Retocarei a maquiagem cheia de juventude,
De quem sabe que a vida é música,
Que se dança em nota e plenitude!

                                                                                                      (Maristela Alves)

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

S A U D A D E (Saudade que escorre pelos olhos)



Hoje uma amiga cantou:
“ Tum Tum Tum bateu
Tum Tum Tum bateu
Tum Tum Tum bateu
A saudade bateu que doeu”.

Cantou e cantou
Aquela melodia,
Mal ela sabia
Que era em mim
Que a saudade doía!

Saudade do cafezinho
Servido na cama
Ainda ao amanhecer.
Saudade do “ Neguinha”
Que nunca vou esquecer!

Saudade das conversas
À mesa ao acordar.
Saudade do arrastar
Dos seus chinelos
No corredor ao caminhar.

Saudade que não passa
Saudade, saudade
Que no meu peito dói.
Saudade do meu pai,
Saudade do meu herói.

                                                                             (Maristela Alves)