sábado, 15 de outubro de 2016

A FLOR DE DEUS (Para minha flor Thábatta, por ocasião do seu aniversário)

A flor de Deus nasceu no meu jardim
Numa ensolarada manhã de primavera,
Preparei-me sabiamente para recebê-la,
Do jardim aquela seria a flor mais bela!

Meiga e exuberante foi desabrochando
Enchendo de perfume o meu jardim,
Cada dia me encantava com sua beleza
E a flor de Deus trazia paz para mim!

Cada dia uma petalazinha se abria
Encantando-me com seu doce frescor,
Parecia que necessitava ser cultivada
Com cantigas de ninar e de amor!

A flor foi crescendo em bondade,
E tomou forma de tímida criança,
Correndo tranquila em meu jardim
Tendo em mim seu porto, sua esperança!

E Deus foi me dando sabedoria
Para cuidar da sua florzinha,
Que passava da fase da adolescência
Para se tornar uma bela mocinha!

Agradeço a Deus todos os dias
Por me escolher para regar sua flor,
Que cresceu linda e formosa
No meu jardim repleto de amor!

                                   (Maristela Alves)


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

NESTE INVERNO


                                                                                                               Imagens de Rose Lopes Weiss Brasil

Quero numa tarde dessas de inverno

Sentar despreocupada na relva
E contar as flores que caem do ipê,
Ou por horas contemplar no azul
A dança amarelada das flores ao vento.
Fazer fotografias com palavras
Como quem traça de dourado
Caminhos no horizonte
A espera do sol poente!
Sentir o cheiro da poesia
Quando os meus olhos
Passeiam a procura dos seus
Num olhar terno e sublime
De fim de tarde perfumada!
E quando o inverno, enfim, passar,
Sentirei saudades das cores
Derramadas do ipê florido
Enfeitando o chão.
Do zumbido das abelhas
Extasiadas pelo pólen,
Dos beijos apaixonados
Dos beija-flores em festa
sonharei com a última flor de ipê
Fazendo um caminho perfumado
Até pousar no chão!
E guardarei em mim
Neste inverno misterioso
O seu olhar de estrelas!
(Maristela Alves)













terça-feira, 9 de agosto de 2016

NOS AZUIS DE AGOSTO (Saúdo a vida de Madsa e Thiago, meus irmãos amados, que aniversariam neste mês)




O sol imerge no horizonte vermelho-fogo,
E traz resquícios dos cheiros do outono
Impregnados aos cheiros das cores do inverno
Como quem sente saudade do azul etéreo
Ou saudade matizada de um azul mais terno!

Os poemas que eu lhe escrevia
Tinha as cores de sol das manhãs de verão
E os luares secretos dos olhos de menina,
A ensinar-me a voar doce e exuberante
Nos azuis esvoaçantes de coralina!

Os poemas que eu lhe escrevia
Eras borboletas amarelas esperadas
Como as chuvas no início de agosto
Tinha cheiro de céu nos vitrais
A crepitar seus ventos com gosto! 

Os poemas que eu lhe escrevia
Nas noites claras de luar
Ou à luz amarelada do lampião
Passarinhava de paz a noite
E alegrava de cores o meu coração!

Os poemas que hoje lhe escrevo
Brincam nos azuis das luzes de neon
De uma cidade em constante movimento
Com saudades da simplicidade do azul
Azulando de amor meu pensamento!
                                                               (Maristela Alves)

segunda-feira, 25 de julho de 2016

AS CORES DE JULHO

                                              As cores de julho são pássaros
Que matizam o céu de anil
Beija-florando os lilases ipês
Na singeleza fugaz da tarde
E voam num canto sereno
De quem espera a chuva
Das manhãs tranquilas de outono
Para desabrochar sorrisos
Nos escarlates do entardecer.

As cores de julho são canções
Que bem te viram desabrochar
Nos rosáceos versos do poema
E araram de felicidade
Nos altos das palmeiras
A espera dos dias áureos
E ensolarados do verão.

As cores de julho são asas
Que douram sabiamente
De paz o infinito
Refletindo beleza e graça
Que só as cores de julho tem.

(Maristela Alves, 25.7.2016)

segunda-feira, 18 de julho de 2016

ACONCHEGO DA POESIA

                                                                                                            Foto de Rose Lopes Weiss
Quando o verso em fim de tarde nasce
E a felicidade é sol de ouro a se pôr,
Contemplo o amarelo tão seu
Feito arco-íris depois da chuva.
Há paz no aconchego da poesia
Nos versos que voam ao entardecer
A procura do enlace dos seus braços
Num abraço rosado de paz!
A mim, sozinha, fotografo o sol
Agora num lúrido amarelo trigo
No dissoluto da despedida
Como trem a sair da estação.
Se o adeus na tardança se faz
A dor no coração se expande
E explode estrelas cadentes.
Te respiro pouco a pouco
Nesse arfante sol poente
Onde o cheiro de inverno e
De sereno ralinho que chega
Se faz inebriante
Nas asas silentes da noite!
Embriaguei-me das belezas
Escondidas misteriosamente
Neste fim de dia
Que dança majestoso
E faz do poema boemia
Para lhe encontrar!
                                            (Maristela Alves)