segunda-feira, 6 de junho de 2016

O TUCANO QUE FUGIU DE MIM


                                                                                                                  Imagem de Maristela Alves

Nos altos galhos da enorme ficcus
Vejo-o assentar sorrateiramente
A procura quem sabe de um ninho,
Para saciar a sua fome com gosto
Ou para tirar um cochilo rapidinho!

Pego silenciosamente minha câmara
E busco-o entre as folhas verdes
Da árvore frondosa que o acomoda,
Ele salta com destreza pelos galhos
Como que brincando, e me incomoda!

Mas, fico ali observando extasiada
A beleza exuberante daquele tucano,
Que ao perceber a minha presença,
Observa-me calmo,  lentamente,
Sem mostrar qualquer indiferença!

Faz pose de modelo lá no alto,
Começo a fotografar daqui de baixo
A leveza dos seus suaves movimentos,
Quando vira a cabeça para me olhar
Ou quando se recolhe em pensamentos!

Lança-me um olhar todo suave
E olha para a imensidão azul do céu
Como se de mim se despedisse,
E num inteligente e belíssimo voo,
Fugiu de mim como se de mim saísse!

A elegância do voo me contagiou,
Segui-o a distância com o olhar
Querendo eternizar aquele instante,
Deixou-me aqui de coração partido
E com a respiração ainda ofegante!
                    
                          (Maristela Alves)

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