(Imagem
de José Medeiros)
As mãos que carregam segredos
Nas linhas que o tempo marcou,
Pousam nos azuis celestes do
dia
Outrora tão cheias de vigor
Hoje, com leves toques,
contagia!
Quando essas mãos saem a
passear
E voam coloridas de doce arco-íris
Me detenho, fugaz, a observá-las,
E as reconheço ali deveras pousadas
Como se o sol estivesse a
dourá-las!
Como asas que repousam da
viagem
Cansadas de bordar em vão o
futuro,
Guardam segredos além do
horizonte
Tão pálidos como a cor do trigo
a bailar,
Tão certos como águas que fluem
da fonte!
Por muito tempo fiquei a
observar
Tentando desvendar algum mistério,
Daqueles que dançam ao amanhecer
Embalados por borboletas
amarelas
E enfeitam-se de luz ao
entardecer!
Mas elas os guardam com
maestria
Nas quermesses peroladas da
vida
Com nuances das cores do tempo,
E quando se vestem de chita
florida
Parece que trazem distante
alento!
As mordazes marcas que o tempo
deixou
Não alterou a beleza que pinta
o vento,
Unhas sobrepujam coloridas de
carmim
E entre os aromas suaves que
exalam
Anéis salientam como flores no
jardim!
(Maristela Alves)

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