sexta-feira, 2 de junho de 2017

A VIDA PASSA PELA JANELA( D.Leopoldina_Águas de Março_por José Medeiros)

       Os créditos da imagem cabem a José Medeiros
Os olhos negros e tímidos contemplam
Os mistérios da vida que permeiam lá fora,
Desenham o sol para colorir o vento
Que espalham de leve as flores de amora!

A beleza da vida se esconde bem ali
Onde as mãos terminam em segredo,
Voa em direção ao jardim de flores
Encurtando a tristeza em meio ao medo!

Da janela os olhos resgatam o brilho da vida
Quando tombam, arfando, ao sol poente,
E como poema de cor viva, viram borboletas,
Espetáculo alaranjado, do céu um presente!

Borboletam no prazer da contemplação
E transbordam a raridade doce da vida,
Ora como pérolas do mar azul da Grécia
Ora como sinos que na torre elucida!

As vezes musicaliza de sublime o amor
Com o olhar terno que traz dentro de si,
Põe na voz o mel de todos os engenhos
E da janela vê a vida passar sem frenesi!

A sabedoria que chega com a maturidade
Vem de mãos dadas com a poesia do olhar,
É possível nas ausências que trescala a alma
Ser pássaro que voa sem ter asas para voar!


                                           (Maristela Alves, 30.5.2017)

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