quinta-feira, 14 de setembro de 2017

NA TESSITURA DA TARDE












Os créditos da imagem cabem a Marco Antônio Lemos


A tarde serena dourada no cerrado

Enfeitada pelo perfume dos ipês,
Recolho as notas do sabiá que canta
Na saudade de alguma delicadeza.
O sol agora atravessa a minha janela
Como que despedindo devagarinho,
A beleza da vida se esconde bem ali
Na suavidade morna do fim do dia.
O dourado do sol se enleia na poeira
E no repicar dos sinos da igreja,
Olho, suspirando, o infinito céu
E retrato na memória o crepúsculo.
A tarde com seus melífluos vitrais
Trescala como livro aberto no colo
E passarinha nas asas da poesia
Com os cheiros que só o vento tem.
Alinhavo no coração o azul do céu
Lembrando o frescor do mar Egeu,
E contorno com as cores do poente
A beleza que contagia minha alma!
Busco similitude na tessitura da tarde
Que borda matizes na íris dos meus olhos
E encontro um indescritível espetáculo!
                                              (Maristela Alves 13.9.17)

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