sexta-feira, 16 de março de 2018

ELA (À todas as mulheres que como eu sabem que não basta somente resistir mas, também, florescer).


                                                                                                                                   Crédito da foto: Dasayev Teixeira
Ela acordou borboleta
E se deixou levar
Na vastidão do céu azul
Como anjo de asas transparentes!

No desvelo dos seus dias:

Despertou o sono do poeta
Bailando sozinha
Na magnitude prateada
Das noites enluaradas do cerrado!

Fugiu da chuva,
Abraçou o sol,
De soslaio viu o tempo
Que lhe sorria finamente
E teve prazer na contemplação!

Costurou sorrisos às lágrimas
Quando a vida esteve escura,
Aprendeu a falar em Deus
No silencio do seu quarto

Desatou os nós de raiva
Quando a desilusão bateu a sua porta,
Recolheu os pedaços soltos de si
Em meio às pesadas nuvens de medo!

Fotografou as palavras
Onde a saudade fez morada,
E espalhou seus encantos
Nas insones manhãs de outono!

Aprendeu a caminhar só
Nos meandros do tempo,
Guardou com esmero suas alegrias
E desocupou-se do passado exíguo!

Acenou entre os muros chanfrados
Dos mistérios guardados a sete chaves
E sumiu na moldura de luz do corredor
Iluminada apenas pela palidez da lâmpada!
                                                 (Maristela Alves, 12.03.2018)


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