No amanhecimento
dos domingos
Quando o sol pinga
de amarelo
As flores
orvalhadas do jardim
Ouço o céu
sorrindo baixinho
Como se percebesse
meus olhos
Exagerando no azul
ruivo do dia!
Quando eu era uma
florzinha
Com jeito de
borboleta desaberta
Sentia a doçura
dos perfumes
E sonhava com o
farfalhar de asas
Beija-floris
tocando-me de leve
Com beijos
pintados de dourado!
Ao crescer entre
os pedaços de céu
Descortinados
pelos vãos do tempo,
Como artesã
delicada que repousa
Na penteadeira de
alguma dama
Perfumei ébria de
felicidade
Ao bordar de amor
meus beija-flores!
Usei as cores
sacras do arco-íris
Raiando a lindeza
melíflua da vida,
Bordei asas com o
lume das estrelas
Nas noites claras
de lua argentina
E deixei que
voassem seus voos
Nos mistérios que
faz sorrir o coração!
Quando o tempo em
seu aprazimento
Faz-me excêntrica
nesse jardim,
Teço cores que
matizam suavemente
E espero que meus
beija-flores eclodam
Com cara de
extrema felicidade, beijem-me,
E perguntem qual a
cor desse imenso amor!
(Maristela Alves, 10/05/2018)

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