domingo, 13 de maio de 2018

A COR DO AMOR (Às mulheres flores e seus beija-flores)























No amanhecimento dos domingos
Quando o sol pinga de amarelo
As flores orvalhadas do jardim
Ouço o céu sorrindo baixinho
Como se percebesse meus olhos
Exagerando no azul ruivo do dia!

Quando eu era uma florzinha
Com jeito de borboleta desaberta
Sentia a doçura dos perfumes
E sonhava com o farfalhar de asas
Beija-floris tocando-me de leve
Com beijos pintados de dourado!

Ao crescer entre os pedaços de céu
Descortinados pelos vãos do tempo,
Como artesã delicada que repousa
Na penteadeira de alguma dama
Perfumei ébria de felicidade
Ao bordar de amor meus beija-flores!

Usei as cores sacras do arco-íris
Raiando a lindeza melíflua da vida,
Bordei asas com o lume das estrelas
Nas noites claras de lua argentina
E deixei que voassem seus voos
Nos mistérios que faz sorrir o coração!

Quando o tempo em seu aprazimento
Faz-me excêntrica nesse jardim,
Teço cores que matizam suavemente
E espero que meus beija-flores eclodam
Com cara de extrema felicidade, beijem-me,
E perguntem qual a cor desse imenso amor!

                                                          (Maristela Alves, 10/05/2018)

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