sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

XANGÓ


Imagem by Caio Alves





















Xangó é cabra da peste
Nas quebradas do sertão
É bicho que avoa rasteiro
Quando a chuva cai no chão
Não tem fama de rogado
Mas tem Deus no coração!

O ardor da seca na cabeça
É vento brando para o valentão,
O sol que lhe arde na tarde
Quer ficar por todo o verão,
Mas o matuto de pele curtida
Sente o calor é no coração!

Canta faceiro que nem sabiá
Ciscando as folhas no chão
No pensamento sua Rosinha
A primavera do seu coração
Mais bonita que lua no céu
Nas noites claras do sertão!

Como sertanejo apaixonado
Que acredita em superstição
Vê perigo por todos os lados
Na terra viva do seu coração
Reza pro santo casamenteiro
Acocorado, o rude barbatão!

Para guardar do mau-olhado
O xodózinho do seu coração
Pede benzimento no domingo
Na porta do velho sacristão,
No terço pendurado no pescoço
E no anel fixo no dedo da mão!

Acredita mesmo no amuleto
Que traz dos anos de solidão,
Uma cabeça do boi suspensa
Relíquia fúnebre no mourão
Daquela que espanta olho gordo
E tristeza de assombração!

Xangó compõe seus silêncios
Nesse pedaço seco de chão
Abraça sua flor de açucena
Cor-de-rosa e de açafrão
Rosinha, arco-íris perfumado,
Aquarela de cores do seu sertão!

                                     (Maristela Alves, 01/02/2019)

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário abaixo! Grata pela visita, volte sempre!