O pêndulo oscila
entre o refúgio
Dentro da manhã aberta
de sol,
Nos azuis céreos dos
vitrais
Chegou com a cor
do arco-íris
Rompendo meus silêncios cruciais!
Já
não me sentia mais sozinha
Sua
rede de amor me protegia,
Seu
jeito todo peculiar de latir
Seu
olhar expressivo de festa
Mudaram
deveras o meu existir!
Seu
coração esquentou o meu
Nos
dias gélidos de inverno,
E
no seu colo eu esquecia
Da intemporalidade da vida
Na certeza de que me entendia!
A noite me falava contente
Do seu mundo na varanda,
Dos inquietantes latidos roucos
Dos garis recolhendo o lixo
E da lua falando aos moucos!
Gastava seu latin inteiro
Desconstruindo o tradicional,
E com sua sabedoria canina
Eu aprendia que amar é mais
Que aurora radiosa na campina!
Fiquei pântano sem acordes
Na tarde insossa de agosto,
A luz apagou devagarinho
Semicerrou os olhos enormes
Sem adeus, sem burburinho!
E quando voou na imensidão
Fiquei lua solitária no céu,
Brilhando uma saudade amarela
De quem desaprendeu a sorrir
Vagalumeando como luz de vela!
Eu sei que tudo em mim é
E será eternamente saudade,
Que o guardarei como sol-pôr
Para que eu sorrie ao lembrar
Da enormidade do seu amor...
(Maristela Alves, 02.10.2019)

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