sexta-feira, 4 de outubro de 2019

LIMÃO (Amor incondicional)



O pêndulo oscila entre o refúgio
Dentro da manhã aberta de sol,
Nos azuis céreos dos vitrais
Chegou com a cor do arco-íris
Rompendo meus silêncios cruciais!

Já não me sentia mais sozinha
Sua rede de amor me protegia,
Seu jeito todo peculiar de latir
Seu olhar expressivo de festa              
Mudaram deveras o meu existir!

Seu coração esquentou o meu
Nos dias gélidos de inverno,
E no seu colo eu esquecia
Da intemporalidade da vida
Na certeza de que me entendia!

A noite me falava contente
Do seu mundo na varanda,
Dos inquietantes latidos roucos
Dos garis recolhendo o lixo
E da lua falando aos moucos!

Gastava seu latin inteiro
Desconstruindo o tradicional,
E com sua sabedoria canina
Eu aprendia que amar é mais
Que aurora radiosa na campina!

Fiquei pântano sem acordes
Na tarde insossa de agosto,
A luz apagou devagarinho
Semicerrou os olhos enormes
Sem adeus, sem burburinho!

E quando voou na imensidão
Fiquei lua solitária no céu,
Brilhando uma saudade amarela
De quem desaprendeu a sorrir
Vagalumeando como luz de vela!

Eu sei que tudo em mim é
E será eternamente saudade,
Que o guardarei como sol-pôr
Para que eu sorrie ao lembrar
Da enormidade do seu amor...

                                                   (Maristela Alves, 02.10.2019)

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