quinta-feira, 4 de março de 2021

ZEZÃO


 Quando eu o conheci

Ainda trazia nas têmporas a leveza dos dias

Nas atitudes o delegado que fora um dia,

No vocabulário um repertório de palavrões

E no peito dois, três ou quatro corações!

O café da manhã era bem a sua cara

Arroz, feijão e tudo que da janta sobrara,

Na casa sempre tinha alguém em temporada

Irmão, compadre ou dos filhos uma namorada!

O tempo lhe trouxe o branco nos cabelos

E o limitar dos passos nos terreiros,

Trouxe outras pessoas para a sua vida

Tornando em cores a sua lida!

Foi feliz no seu jeito tão seu de ser

Zombando, sorrindo, querendo viver,

Mas foi na quietude de um quarto branco

Que fechou os olhos por um momento santo

E viu anjos dourados dançando ao léu

Como se o convidasse a sorrir no céu!

Esqueceu, deveras, as despedidas

Ainda ouvia as vozes tão queridas

Mas voava numa leveza perfumada

De asas, de cores, de nova morada!

Amanhecia com deslumbre o horizonte

A escuridão não era mais um amedronte,

 Não se sentia mais assustado

Nem era resiliente desajustado,

Era de novo menino travesso

Que vivia a vida sem avessos,

Era cantiga, era vida, era coração,

Era Zezinho, José, Zé, Zezão!

                                            (Maristela Alves, 03/03/2021)

0 comentários:

Postar um comentário

Deixe seu comentário abaixo! Grata pela visita, volte sempre!