Quando eu o conheci
Ainda trazia nas têmporas a leveza dos dias
Nas atitudes o delegado que fora um dia,
No vocabulário um repertório de palavrões
E no peito dois, três ou quatro corações!
O café da manhã era bem a sua cara
Arroz, feijão e tudo que da janta sobrara,
Na casa sempre tinha alguém em temporada
Irmão, compadre ou dos filhos uma namorada!
O tempo lhe trouxe o branco nos cabelos
E o limitar dos passos nos terreiros,
Trouxe outras pessoas para a sua vida
Tornando em cores a sua lida!
Foi feliz no seu jeito tão seu de ser
Zombando, sorrindo, querendo viver,
Mas foi na quietude de um quarto branco
Que fechou os olhos por um momento santo
E viu anjos dourados dançando ao léu
Como se o convidasse a sorrir no céu!
Esqueceu, deveras, as despedidas
Ainda ouvia as vozes tão queridas
Mas voava numa leveza perfumada
De asas, de cores, de nova morada!
Amanhecia com deslumbre o horizonte
A escuridão não era mais um amedronte,
Nem era resiliente desajustado,
Era de novo menino travesso
Que vivia a vida sem avessos,
Era cantiga, era vida, era coração,
Era Zezinho, José, Zé, Zezão!
(Maristela Alves, 03/03/2021)
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