sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O POEMA QUE VOA

O poema que nasce no papel amarelecido
Dança nas asas verdes do louva-a-deus,
Como estrela brilha de prata o meu céu
Nos sorrisos que escapole e voa ao léu!

Voa feito criança aprendendo a andar
Segura pela mão de alma perpétua,
Voa na memória dos risos soltos
Dos tempos idos e, por vezes, revoltos!

Voa feito avó recitando uma prece
De joelhos no chão de terra batida,
Voa no laço que amarra o presente
No escarlate do amor que se sente!

Voa feito acordes de canção de ninar
Embalando o sono de levezinho,
Voa no abraço que causa arrepios
Que aquece os invernos mais frios!

Voa feito coração que bate no peito
Nas rimas e métricas perfeitas,
Voa no azul que não cabe no oceano
E mistura-se ao vermelho sol insano!

Voa como a brisa do amanhecer
Perfumando os montes do Líbano,
Voa como a última flor do ipê
No olhar doce do bem-querer!

Voa na mais sublime forma de amor
E retorna feito arco-íris encantado,
Colorido dos mistérios da maturidade
Nos seus versos, mil tons de felicidade!
                                                  
                                                        (Maristela Alves)

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O MENINO QUE TOCA POESIA

O menino que toca poesia
Nas cordas azuis do seu violão
Tem a virtude das águas cristalinas
A correr no chão ardente do meu sertão!

Tem cheiro de sabiá quando canta
Nas tardes preguiçosas de verão,
Me lembra borboletas amarelas
A voar nas asas lilases da amplidão!

O menino que toca poesia
Nas cordas azuis do seu violão,
Tem sorrisos que reflete arco-íris
A colorir os altos ipês em floração!

Tem melodia de água de chuva
Nas manhãs de início de estação,
Me lembra notas de guitarra
A acalentar os acordes da canção!

O menino que toca poesia
Nas cordas azuis do seu violão,
Tem sonhos além de fronteiras
A andejar como nuvens de algodão!

Tem balanço de música que a vida toca
Nas páginas do livro em construção,
Me lembra Manoel de Barros menino
A carregar poesia na palma da mão!

O menino que toca poesia
Nas cordas azuis do seu violão,
Tem a lua na menina dos olhos
E envolve de paz o meu coração!

                                           (Maristela Alves)



quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

IRIS (Pingo gotas de poesias para te colorir )

Nos dias de chuva

A menina de cor de jambo

Com suas asas de borboleta

Sai a procura do arco-íris,

Ama brincar com suas cores!

E quando lá do céu ele a vê

Multicolore-se de felicidade

E com um sorriso de alegria

A recebe num abraço matizado!

E a menina toda prosa

Como gotas de chuva

Emanadas de Iris

Baila em suas cores

E com elas se diverte.

Pinta de anil o azul do céu

E de verde os olhos de Deus,

No dourado do sol se bronzeia

E do vermelho das flores se adorna!

No seu mundo regado de fantasia

Se perfuma de grená, de violeta,

De rosa, de laranja e de alegria

Sonha colorindo de arco-íris!

Talvez amar seja isso!

 

                   (Maristela Alves)

 

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

OLHOS DE AMOR (OIA/SANTONINI/GRECIA)

Quando em Oia/Santorini o dia amanhece
E o sol adentra as ruazinhas de pedras
É como cartão postal enviado por Deus,
Na beleza indescritível do penhasco
Incrustado de casinhas brancas
E igrejas de abobadados tetos azuis!
                             
A ilha vulcânica rodeada pelo mar Egeu
Tão grega, paradisíaca e aconchegante
Faz pose de modelo para os turistas
Que entre contemplação e flashs
Guardam na memória a emoção da beleza
Tão única nos detalhes desenhados!


                                                  Quando a tarde desponta devagarinho
E a luz alaranjada do sol se pondo
Reflete nas águas azuis do mar,
Abro meus olhos de amor
Para ver um dos mais belos pôr de sol!

     
                                             Contemplo embasbacada nesse paraíso
O sol se pôr no Mar Egeu
Atrás de algumas nuvens, é verdade,
Mas que não ofuscam sua magnitude
Nesta tarde de início de inverno!

O sol desaparece no horizonte,
Dando lugar a noite em Oia
Deixando-a ainda mais encantadora,
toda iluminada, parecendo lapinha!
A emoção de estar ali não tem fim!
                                                                                                (Maristela Alves)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

SER MENINA (Para nossa menina Mirian Leal)


Ser menina é ter buquê de sorrisos no rosto
Refletindo os lilases do arco-íris no céu,
É viver o tempo todo querendo voar
Sem destino certo como pipa de papel!

Ser menina é rir por qualquer bobeira
Até ter no olhar um brilho molhado de paz,
É bordar seus sonhos com fios dourados
Flertando cada momento de modo fugaz!

Ser menina é ter mais de mil faces secretas
Dentro do azul profundo da noite sem lua,
É olhar pela janela a chuva que lá fora cai
Com saudades das asas que no peito flutua!

Ser menina é dançar qualquer música
Como bailarina que rodopia no ar,
É sentir o vento a desalinhar os cabelos
E ter um lindo caderno para sonhos anotar!

Ser menina é encantar no vocabulário:
“Deu ruim”, “tipo assim” e “pode crer”,
 Mas, “cola em mim que você brilha”
Faz qualquer estrela no céu estremecer!

Ser menina é amanhecer num dia lindo
E como flor no jardim desabrochar,
É conhecer dos sentimentos, o mais lindo,
E pelo beija-flor, devagarinho, se apaixonar!
                                                          (Maristela Alves)

sábado, 15 de outubro de 2016

A FLOR DE DEUS (Para minha flor Thábatta, por ocasião do seu aniversário)

A flor de Deus nasceu no meu jardim
Numa ensolarada manhã de primavera,
Preparei-me sabiamente para recebê-la,
Do jardim aquela seria a flor mais bela!

Meiga e exuberante foi desabrochando
Enchendo de perfume o meu jardim,
Cada dia me encantava com sua beleza
E a flor de Deus trazia paz para mim!

Cada dia uma petalazinha se abria
Encantando-me com seu doce frescor,
Parecia que necessitava ser cultivada
Com cantigas de ninar e de amor!

A flor foi crescendo em bondade,
E tomou forma de tímida criança,
Correndo tranquila em meu jardim
Tendo em mim seu porto, sua esperança!

E Deus foi me dando sabedoria
Para cuidar da sua florzinha,
Que passava da fase da adolescência
Para se tornar uma bela mocinha!

Agradeço a Deus todos os dias
Por me escolher para regar sua flor,
Que cresceu linda e formosa
No meu jardim repleto de amor!

                                   (Maristela Alves)


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

NESTE INVERNO


                                                                                                               Imagens de Rose Lopes Weiss Brasil

Quero numa tarde dessas de inverno

Sentar despreocupada na relva
E contar as flores que caem do ipê,
Ou por horas contemplar no azul
A dança amarelada das flores ao vento.
Fazer fotografias com palavras
Como quem traça de dourado
Caminhos no horizonte
A espera do sol poente!
Sentir o cheiro da poesia
Quando os meus olhos
Passeiam a procura dos seus
Num olhar terno e sublime
De fim de tarde perfumada!
E quando o inverno, enfim, passar,
Sentirei saudades das cores
Derramadas do ipê florido
Enfeitando o chão.
Do zumbido das abelhas
Extasiadas pelo pólen,
Dos beijos apaixonados
Dos beija-flores em festa
sonharei com a última flor de ipê
Fazendo um caminho perfumado
Até pousar no chão!
E guardarei em mim
Neste inverno misterioso
O seu olhar de estrelas!
(Maristela Alves)













terça-feira, 9 de agosto de 2016

NOS AZUIS DE AGOSTO (Saúdo a vida de Madsa e Thiago, meus irmãos amados, que aniversariam neste mês)




O sol imerge no horizonte vermelho-fogo,
E traz resquícios dos cheiros do outono
Impregnados aos cheiros das cores do inverno
Como quem sente saudade do azul etéreo
Ou saudade matizada de um azul mais terno!

Os poemas que eu lhe escrevia
Tinha as cores de sol das manhãs de verão
E os luares secretos dos olhos de menina,
A ensinar-me a voar doce e exuberante
Nos azuis esvoaçantes de coralina!

Os poemas que eu lhe escrevia
Eras borboletas amarelas esperadas
Como as chuvas no início de agosto
Tinha cheiro de céu nos vitrais
A crepitar seus ventos com gosto! 

Os poemas que eu lhe escrevia
Nas noites claras de luar
Ou à luz amarelada do lampião
Passarinhava de paz a noite
E alegrava de cores o meu coração!

Os poemas que hoje lhe escrevo
Brincam nos azuis das luzes de neon
De uma cidade em constante movimento
Com saudades da simplicidade do azul
Azulando de amor meu pensamento!
                                                               (Maristela Alves)