domingo, 23 de agosto de 2015

NAS ASAS AZUIS DO SOL (À menina que brinca com o azul-Nanci Rios).

Repousa nas asas azuis do sol,
Embevecida adormece no seu brilho,
Torna-se purpurina dourada nas manhãs,
Sonha nos acordes desse chão de ladrilho!
Na esperança de saber o que é o amor
Baila no céu que do azul da paz cintila,
Feito lágrimas nos olhos da criança,
Feito borboleta amarela na argila!
E a beleza que declina nessa hora
Feito ternura da luz que vem do sol,
Embriaga os olhos de quem a vê,
Enquanto a vida se arrasta em arrebol!
Esse brilho então a torna azul
À medida que lhe colore o coração
Nos lábios o sorriso de menina
Faz o momento um toque de emoção!
Tão silente e fugaz se faz poesia,
Brinca com o arco-íris de cor em cor
E como saudade que chega e azula
Desperta do seu lânguido sonho de amor!

(Maristela Alves)

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

O TEMPO PASSA NA ESQUINA ( À minha amiga Gisele, que amo de coração).

Muitas vezes brinco de escrever,
Às vezes, escrevo poesias na mente,
Outras, dormindo, no pensamento,
As que mais gosto, no presente!
 
Hoje, na brincadeira de escrever,
Danço como pétala ao vento,
Escrevo um poema que anoitece
Que festeja a idade e o tempo! 

Trago palavras do meu silêncio 
Torno-as músicas nesta festa,
Faço-me luz neste momento,
Faço-me par nesta seresta!
 
Só para falar de amizade,
De coisa que dura uma vida,
De ver morena ficar loira,
De ver criança ficar crescida!
 
Falar que o tempo passa na esquina
Como se fosse da vida o pintor,
Que os pássaros tem voz de Deus
Com asas tranquilas de amor!

                                                            (Maristela Alves)

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A MENINA QUE DANÇA COM O VENTO (À Sônia Maria Barrueco, menina que exala cultura)

A menina que dança com o vento
Baila em portugueses castelos,
Navega nas asas azulantes dos mares
E trava na imaginação suaves duelos!

Ama a terra das palmeiras
Onde canta seresteiro o sabiá,
Ama também a terra de Camões
E divide teu coração entre aqui e acolá!

Viaja nas cirandas das culturas
Fazendo caravelas de emoção,
Nas manhãs ensolarados perfumes
Enche de paz seu coração!

Os ventos lusitanos que a leva
Para além dos mares dos teus desejos,
Leem no teu olhar teus mundos,
Traçando no rosto doces lampejos!

E ao dançar nas asas luzidias do vento
Sonha com a terra da Galiza,
E o vento encantado com a menina
Todo prosa o seu sonho realiza!
                                                         
                                                     (Maristela Alves)

terça-feira, 18 de agosto de 2015

DONA LEIA (Doce como o pôr do sol)



                                        Tive a honra de conhecê-la,
                                                 Serva de Deus,
Que na sua singeleza
Transmite uma paz sem fronteiras.
Tem no rosto uma beleza suave,
No corpo esguio uma leve elegância
E na fala uma serena entonação.
Conheci a casa simples
Mas de extremo aconchego,
Onde até os pássaros pretos
Cantam e encantam.
Dividida entre a máquina de costura
E os afazeres domésticos,
Ainda dispensa tempo para
Suas visitas beija florais.
Encantou-me as relíquias
Guardadas cuidadosamente:
A roda de fiar que foi da irmã,
Os diários escritos pelo pai
Por volta dos anos 40,
A minúscula boneca de pano,
As fotos das rodas
Para o feitio dos doces de caju,
A pequena cabaça,
A máquina de costura
Das primeiras fabricações,
E a enorme mesa de madeira.
Sem esquecer
O aconchegante cafezinho
Servido na xícara de louça.
Dona Leia
Na sua simplicidade
Ensinou-me a ser melhor!
                  (Maristela Alves)