terça-feira, 18 de agosto de 2015

DONA LEIA (Doce como o pôr do sol)



                                        Tive a honra de conhecê-la,
                                                 Serva de Deus,
Que na sua singeleza
Transmite uma paz sem fronteiras.
Tem no rosto uma beleza suave,
No corpo esguio uma leve elegância
E na fala uma serena entonação.
Conheci a casa simples
Mas de extremo aconchego,
Onde até os pássaros pretos
Cantam e encantam.
Dividida entre a máquina de costura
E os afazeres domésticos,
Ainda dispensa tempo para
Suas visitas beija florais.
Encantou-me as relíquias
Guardadas cuidadosamente:
A roda de fiar que foi da irmã,
Os diários escritos pelo pai
Por volta dos anos 40,
A minúscula boneca de pano,
As fotos das rodas
Para o feitio dos doces de caju,
A pequena cabaça,
A máquina de costura
Das primeiras fabricações,
E a enorme mesa de madeira.
Sem esquecer
O aconchegante cafezinho
Servido na xícara de louça.
Dona Leia
Na sua simplicidade
Ensinou-me a ser melhor!
                  (Maristela Alves)

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