O retrato na parede já amarelecido
Poetiza a alegria velada da moça
Onde borboletas amarelas voam
Nos lilases desbotados da moldura.
Nenhum sofisma traz nos olhos
Ou nos traços delicados de outrora,
Onde a elegância musicaliza
Seu sorriso com asas de paz.
O sol já espreita pela janela
Desejando aquecer com cor
Seu coração borboletado.
O cheiro avelhentado da sépia
Tremula como flor de ipê florido
Levada pelo vento da manhã.
Teço saudades douradas
Da moça com cheiro de vida
De cabelos encaracolados
Que usava o silêncio para ouvir
O que dizia seu coração.
Na parede o retrato
É poesia que sorri!
(Maristela Alves, 13.7.2016)
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