Ainda me lembro daquele
tempo
Em que a via ali,
Tinha a beleza da juventude
Nos gestos
delicados de princesa,
O azul do céu nos
olhos de paz
E nos lábios uma
canção de amor,
Era apaixonado por
ela.
Um dia partiu,
nada deixou,
Nem o cheiro suave
das flores
Colhidas nas
manhãs de sol,
Nem a brisa
branquinha
Dos dias de chuva!
Sonhava com ela
nas noites frias,
Como quem sonha
com o infinito,
Com o mar revolto
dos janeiros
Ou com as
tormentas de março.
O tempo, ah o
tempo,
Roubou-me os
sonhos
E a vivacidade dos
dias,
Mas não me fez
esquecê-la!
Hoje minhas
memórias me traem,
Mas ainda guardo
um sonho,
O de
reencontrá-la,
Ainda que no rosto
traga
Rugas exaltando
sua beleza,
Nos olhos um azul
menos vivo
Do céu de anil de
outrora,
Nas mãos o tremor
da brisa
E nos lábios,
agora,
Orações de paz.
Amor talvez seja
isso: sonhar!
(Maristela Alves).
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