O sol cai de viés sobre Band
Dourando-a
de silente saudade
E me leva
para os tempos em que
No final
da tarde era bonito ver
A poeira
de suas ruas misturadas
Aos
matizes do sol poente.
Bordo retratos dessas tardes
Na periferia dos meus sentimentos,
Sei que logo poderei revê-las
Numa despedida purpurina
Na
amplidão do horizonte.
Recordo-me
nostálgica
Desse
tempo de menina
Em
que me deleitava na poesia
Das
lamparinas acesas
Rodeadas
de mariposas
Enfeitando
as casas de madeira.
Tempo
das noites de medo
Depois
da contação
De
causos de assombração
Sob
seu céu enluarado.
Tempos
da voz da esperança
No alto-falante da matriz
Anunciando a Ave-Maria
Num
sotaque italiano.
Tempos dos guavirais perfumados
Onde a criançada fazia festa
Nas tardes mornas de domingo.
Tempos de gente simples
Sentadas à porta de suas casas
Proseando descomplicadamente
E saboreando o amargo do mate
Tomado sem pressa.
Tempos de criança brejeira
Tomando banho de chuva
E correndo na enxurrada
Nas tardes de final de verão.
Tempos de Band...
Tempos eternizados na alma !
(Maristela Alves 02.3.2018)
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