Imagem extraída da internet
A noite envolve a varanda do
casario
Enquanto a cidade adormecida de
luar
Agasalha-se em meio às montanhas,
Ouço as batidas do meu coração
E os passos que sobem na escuridão!
A meia-noite há muito havia
descido
A ladeira com calçamento de pedra
E se recolhido entre igrejas e
altares,
Então, de quem seriam aqueles
passos
Marcados em históricos compassos?
Nas curvas das ruas centenárias
Os passos amanhecem meu sono
E param próximo a minha janela,
Tinha a solidão como companheira
E a lua no céu como conselheira!
A madrugada exala seus mistérios
Guardando segredos a sete chaves
Pelas ruas estreitas de Ouro
Preto,
No interior do lúgubre casario
Meu coração bate em desvario!
No silêncio que abraça a noite
Espero um estalar de tábuas
Ou um bater de portas abafado,
Mas ouço os passos se afastarem
E com eles meus medos dissiparem!
Levanto e abro uma fresta da
janela
E olho lá embaixo a Casa dos Contos
Com seus guarda-corpos de ferro,
Então vejo um caminhante que avança
Como se ensaiasse passos de dança!
Um feixe de luar costura seus
passos
Ziguezagueantes pela rua São José
Como se acordes de violão o
envolvesse,
Enquanto a cidade amanhece calma
Pergunto quem seria aquela alma!
(Maristela Alves, 29.03.2019)

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