À giesta do tempo
Feito borboleta toda azul vivo,
As lembranças já não brilham como antes
Tampouco escorrem pelos meus olhos
Ocultando-me a vista da lua!
As memórias do passado
Que antes emergiam como sombra
E jaziam sobre o brônzeo portal
Escura e indefinivelmente imóvel
Já não me causam agonia!
As lúridas estrelas
Não mais reveem a palidez
Que a lua, quando baixa no céu,
Desenhava sombra sobre o trapiche
Arqueando medo nos meus olhos!
As ruas despovoadas
Com suas lâmpadas
de ferro
A iluminar a noite
cálida
Já não me rodeia com seu
silêncio
Extraordinariamente enregelado!
O tempo foi magnífico,
Permitiu-me florir
Trouxe-me brilho aos olhos
O rosado das faces feneceu
Já sinto o cheiro do vento!
Como um
artesão delicado
Grudou em mim seus olhos verdes
Amanheceu-me com delicadas asas,
Feito
mar levou toda a lembrança
E me sorrio um amarelo cor-de-sol!
Maristela Alves
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