A primavera amanhece a estação
Trazendo consigo o cheiro do sol,
Esterzinha refloresce os seus anos
Tendo nos olhos um brilho afinado
Que esconde sutilmente as marcas
Deixadas pelos trilhos do tempo!
A idade lhe sorri entusiasmada
Brincando de esconde-esconde
Com os passos enlanguescidos,
Mas a memória, ainda moça,
Carrega o frescor da manhã
E caminha em lisura celestial!
Os cabelos matizados de prata
Reverberam as cores do dia
E as mãos que lidavam no crochê
Agora acariciam suas violetas
Que ensaiam os pequenos botões
Para a dança das borboletas!
Quando dentro da noite que cai
As folhas tremulam atrás do vento,
As violetas ainda sentindo o
toque
Desabocham em magnificência
Numa explosão de cores e vida
Presenteando com seu perfume!
Nos acordes do dia que amanhece
A profusão de perfume invade o ar,
Esterzinha acordada de emoção
Entretida nos seus sentimentos
Caminha entre o tictac do relógio
E o alegre borbulhar do coração!
Inerte diante de tamanha beleza
Sem preâmbulos na contemplação
Curva-se em terno agradecimento,
E na beleza imensurável do
momento
O sol debruça-se entre as cores
No esvoaçante encanto da vida!!
E quando as violetas florescem
Esterzinha luzidia como arco-íris
Depois da chuva fina da estação,
Torna-se cor, flor, borboleta
E voa suas emoções no infinito,
Ela jamais desiste de amanhecer!
(Maristela
Alves, 04.10.2021)

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