A tarde sobrevinha nas ruas estreitas
E a cor-de-açafrão que cintilava
no céu
Abluía qualquer melancolia de
outrora,
Passos soavam entre as casas
brancas
E ressoavam nas abóbodas cerúleas!
Em algum lugar alguém tocava o
alaúde
A vibração das cordas repercutia no
ar
Anunciando a doce hora da
magnificência,
No horizonte as cores do
entardecer
Ofuscavam o azul do mar
mediterrâneo!
Sentia-se tão bela dentro do pôr
do sol
Feito grega no horizonte
enrubescido
Perfumando as tardes de novembro,
E sorria, num fio de luz coado de
laranja,
Só ela sabia o que a tinha feito
sorrir!
Os tons de carmim luziam os seus
cabelos,
Entremeados pela luz em que se
colocara
E alinhavavam os voos lilases do
beija-flor,
Olhava o infinito perfumado de
entardecer
Com pensamentos ensaiando passos
de amor!
Debruçadas no parapeito das
ruinas inertes
Suas asas transcendiam as cores
do poente
E contemplavam os novos acordes
do azul,
Tal qual Athenas em seu Parthenon
Impressionava na indizível graça
de ser!
Ao admirar a bela mulher ali
parada
Recordo das nossas noites de
acalento,
Dos joelhos machucados da
infância,
Das suas mãos entrelaçadas nas
minhas
E, também, entardeço ao pôr de
sol!
Maristela Alves, 03/9/2021
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