terça-feira, 20 de outubro de 2015

SER NINHO (À querida Álvara, que preferiu ser ninho para dois passarinhos)

Da janela do quarto observo os pássaros
Que voam de lá para cá e de cá para lá,
Ora cantam saudando o dia,
Ora carregam no bico
Algo indecifrável,
Que não sei precisar
Se para a construção do ninho
Ou se alimento para algum filhotinho,
Só sei que não param,
Voam, piam, cantam e por aí vai.
Isso me faz lembrar uma amiga
Que também tinha asas,
Coloridas de liberdade.
Voava ora colorindo o sol, ora a lua,
Ora as estrelas, ora o infinito,
Mas, voava o voo da borboleta,
Voo silencioso, voo vazio.
E num dia de sol ou de chuva,
O amor invadiu o seu jardim.
Voou seu último voo de borboleta,
Trocou os encantos da liberdade,
Preferiu ser ninho
Para dois passarinhos
Caídos de outro ninho.
Hoje,
Voa diferente!

(Maristela Alves)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

PRESENTE TÃO PRECIOSO (À minha florzinha Thábatta Campos)



Era um quinze de outubro ensolarado
Quando senti o perfume doce no jardim,
Uma florzinha timidamente me sorria
Trazendo nas asas uma candura sem fim!  

Como céu que azula ternamente no infinito
Daqueles que nos envolve e faz sonhar,
Assim, a florzinha me encantava
Com aquele brilho intenso no olhar!

Olhava-me como música que entoa
E que cintila o amor no coração
Que faz ter brilho no sorriso,
Que brota lágrimas de emoção!

Como poema que sossega a alma
Num dia cedo ou de tardinha,
Vive em graça a flor no meu jardim,
Numa vivacidade que passarinha!

Pintei de dourado minhas asas,
Vesti-me de arco-íris rendoso,
Desde aquela manhã cultivo a alegria
Por ter ganho presente tão precioso!

                                                        (Maristela Alves)

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

ESTERZINHA ( À nossa Esterzinha, flor maior)


Entre as Severinas, Esterzinha,
Mulher guerreira, nordestina,
Que deixou o sertão baiano,
Para tentar mudar sua sina!

Carregou lata dágua na cabeça
E socou arroz no pilão,
Lavou roupa no riacho
Nas terras daquele sertão!

Ao casar-se com Mário
Aventurou-se de alado,
Saiu do sertão baiano
Para as terras do cerrado!

E ao lado do seu amado
A sua família formou,
Como boa sertaneja
sete filhos então criou!

E hoje vive Esterzinha
Nessa terra de meu Deus
Comemorando mais uma era
Ao lado dos filhos seus!

                                               (Maristela Alves)

sábado, 10 de outubro de 2015

CAMALOTES DA MEIA NOITE



A noite chega ao majestoso Pantanal
Silenciosa com vestes de escuridão,
No céu a lua dá um show fenomenal
Irradiando a branca luz na imensidão!

O rio Paraguai com todo seu esplendor
Reflete em suas águas essa beleza inigualável,
E como prêmio ela mostra todo o resplendor
Dos camalotes da meia noite, cena inenarrável!

Eles flutuam ao som das águas noturnas,
Como que inebriados pela luz da lua,
Vão desabrochando as pétalas taciturnas
Num belo show que na água continua!

Sob as estrelas dançam feito bailarinos,
Num fugaz instante de pura eternidade,
Entre quimeras de amor e sons divinos
Segue a inconsistência da tal felicidade!

E nessa noite o rio vira um imenso jardim
Colorido pelo verde e branco camalotes,
Que brilham suas gotas de cristais marfim,
Resplandecendo num céu de raros holofotes!
                                                                        (Maristela Alves)

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SABIÁ SABIANDO


                                        Tenho visto por esses dias um sabiá
Falando em sabiá com um outro sabiá,
Falavam em um sabiá blá blá blá blá
Gostoso como se fosse um cantar!

Um sabiá sabiava daqui
E o outro sabiá sabiava de lá,
Fiquei então tentando desvendar
O que diziam na língua sabiá!

Até que um sabiá resolveu
Sabiar em algum outro lugar,
Quem sabe foi levar o recado
Que lhe deu o sabiá de cá!

Ainda por um longo tempo
O sabiá de cá continuou a sabiar,
Sabiava alto, todo contente,
Sabiando como só ele sabia sabiar!

De repente o sabiá bateu asas
E foi ficando longe seu sabiado,
Presumo que tenha ido descansar
Depois de um dia trabalhado!

Mas eu sei que durante a primavera
Ouvirei constantemente o sabiá,
Acordando-me cedinho com seu canto
Dizendo-me que já é hora de levantar!

                                                                                         (Maristela Alves)