sábado, 30 de janeiro de 2016

A POESIA QUE GUARDA PALAVRAS(brincando com o vocabulário do Prof.Pedro Demo)



Alinhavo versos nos ensaios finos da poesia
Como quem costura o encalacrado tempo,
Sem espaços para trambiques ou quinquilharias
Só o almágema de corpo e alma eu contemplo!

As palavras desvelam o silêncio insofismável
Enquanto invade a noite inarredável lá fora,
No acinte imaginário do poeta, voo alargado,
Desconstruindo enganos crassos de outrora!

Sou leso nessa coisa de tecer veleidades ineptas
Mesmo nas trincheiras desacertadas da alma,
Ensaio hábitos mais interessantes no poema
Como chuva fina que desvela e acalma!

O azul da noite veste minhas mãos de estrelas,
Tira de mim o exacerbado medo da solidão,
Já não sou vassalo de fórmulas prontas da vida
E nem aprecio os crassos enganos da escuridão!

Longe de ser um repositório de mazelas
Embeveço-me na tessitura das palavras em fineza,
Sozinho, nada sou nesse céu coalhado de estrelas,
A noite torna-se autora de esdrúxula beleza!

Emulo na similitude dos versos do poeta,
Sem crucificar unilateralmente as flores
Contorno riscos imbecilizantes da vida,
Reconstruo na falta de criatividade dos amores!

Assim, desvelo doces laivos de pensamentos
Que, exitosamente, passeiam em mim,
Busco meu coração em outros horizontes,
E na feitura dos versos torno-me jardim!
                                                             
                                                   (Maristela Alves)

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