(Imagem de Maristela Alves)
O poema
aflora suave por dentro do vento
Rabiscando
no papel um azul cheio de asas,
Enquanto
os pingos ensaiam passos de chuva
Onde espelha
um céu outrora adormecido
Teço nuvens e palavras para
adormecer,
Mas, as palavras voam entre as vidraças,
E varrem dos
meus olhos o sono da madrugada
Como
costureira que cose a luz da lamparina!
Soletro a
doçura das horas e não resisto,
Passeio
em mim, às lembranças do azul,
Abro as
gavetas dos pensamentos guardados
Agora tão
cheias dos segredos incompletos.
Entro e
saio dessas gavetas que o tempo velou,
Como quem reflete o céu no ruflar das asas,
Rego de
lágrimas as nuvens que teço
E que te faz azul a varrer o meu sono!
Há sempre uma doçura de outras
horas
Que cresce
dentro da chuva deste dia,
Decifro cada pedaçinho desse céu
Como
vento que há dias ronda a casa,
Como
cores nas tardes mornas de janeiro,
Como sabiás
que daqui se ouvem,
Como
regaço a aguardar-te quando vais...
O poema
aflora suave por dentro do vento!
Lindo, Linda.
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