sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

O POEMA AFLORA SUAVE POR DENTRO DO VENTO

                                                   (Imagem de Maristela Alves)

O poema aflora suave por dentro do vento
Rabiscando no papel um azul cheio de asas,
Enquanto os pingos ensaiam passos de chuva
Onde espelha um céu outrora adormecido
Teço nuvens e palavras para adormecer,
Mas, as palavras voam entre as vidraças,     
E varrem dos meus olhos o sono da madrugada
Como costureira que cose a luz da lamparina!
Soletro a doçura das horas e não resisto,
Passeio em mim, às lembranças do azul,
Abro as gavetas dos pensamentos guardados
Agora tão cheias dos segredos incompletos.
Entro e saio dessas gavetas que o tempo velou,
Como quem reflete o céu no ruflar das asas,
Rego de lágrimas as nuvens que teço
E que te faz azul a varrer o meu sono!
Há sempre uma doçura de outras horas
Que cresce dentro da chuva deste dia,
Decifro cada pedaçinho desse céu
Como vento que há dias ronda a casa,
Como cores nas tardes mornas de janeiro,
Como sabiás que daqui se ouvem,
Como regaço a aguardar-te quando vais...
O poema aflora suave por dentro do vento!

                                                                                                              (Maristela Alves)

Um comentário:

Deixe seu comentário abaixo! Grata pela visita, volte sempre!