terça-feira, 19 de junho de 2018

FLORES NA JANELA (À minha amada amiga Anadir que não me esqueceu quando sua janela perfumou em cores e me encaminhou essa belíssima imagem).
























Lá onde a brisa passeia sem pressa,
As flores aproximam da janela
Com cheiro de vida que se abre
Para receber as borboletas
Que trazem as cores do dia!

Voam com uma graça indizível
Espalhando encantos matizados
Como méleas borboletas bailarinas
Que perfumam o caminho do vento
E trazem vida a esse lugar!

Já não chamam minha atenção
As rugas nas pedras da janela,
Mas, o carmesim das suas pétalas,
Sorrindo ao calor abrasado do sol
Como sinos tocando em Jerusalém!

Na varanda o odor inebriante
Reflete o caminho do vento
E desvenda o segredo das flores,
Nos olhos do poeta há borboletas
Seu coração desmancha em ternura!

Quem sabe numa outra varanda
A manhã também se abra em flores
E um colibri atraído pelo perfume
Se vista com a intensidade das cores
E brilhe com as matizes dos raios de sol
Enquanto a vida passa num frenesi!
                                      

                                                      (Maristela Alves)



domingo, 13 de maio de 2018

A COR DO AMOR (Às mulheres flores e seus beija-flores)























No amanhecimento dos domingos
Quando o sol pinga de amarelo
As flores orvalhadas do jardim
Ouço o céu sorrindo baixinho
Como se percebesse meus olhos
Exagerando no azul ruivo do dia!

Quando eu era uma florzinha
Com jeito de borboleta desaberta
Sentia a doçura dos perfumes
E sonhava com o farfalhar de asas
Beija-floris tocando-me de leve
Com beijos pintados de dourado!

Ao crescer entre os pedaços de céu
Descortinados pelos vãos do tempo,
Como artesã delicada que repousa
Na penteadeira de alguma dama
Perfumei ébria de felicidade
Ao bordar de amor meus beija-flores!

Usei as cores sacras do arco-íris
Raiando a lindeza melíflua da vida,
Bordei asas com o lume das estrelas
Nas noites claras de lua argentina
E deixei que voassem seus voos
Nos mistérios que faz sorrir o coração!

Quando o tempo em seu aprazimento
Faz-me excêntrica nesse jardim,
Teço cores que matizam suavemente
E espero que meus beija-flores eclodam
Com cara de extrema felicidade, beijem-me,
E perguntem qual a cor desse imenso amor!

                                                          (Maristela Alves, 10/05/2018)

quarta-feira, 2 de maio de 2018

HOJE ESCOLHO


A noite já tão perto
Matiza com pétalas
As horas do ócio!

Se eu pudesse voar
Alcançaria as nuvens
E dançaria com o vento
Nos mistérios que nunca
Consegui penetrar...

Hoje o voar não vem de asas,
Vem dos cheiros que transcendem
Como pó de estrelas
Nesse pedaço de paraíso.

E como quem caça borboletas
Espalhando os seus encantos
Nas tardes de final de verão
Ouço o som do mar...

A trilha de vidros quebrados
Ficou no passado,
O tempo secou as lágrimas,
Foi então que descobri
Que lágrimas não são para sempre!

Lá onde a saudade faz morada
Deixou de ser refúgio.

Hoje escolho ouvir as serenatas
Dos gondoleiros nas noites de Veneza,
Ter um exemplar de Dan Brown nas mãos,
Ver o por do sol na Barra,
Pisar nas areias de Ubatuba,
Voar nas histórias das Minas Gerais,
Navegar nas águas pantaneiras,
Contemplar à tarde que vai...

A ouvir o silêncio beatificado das pedras!

(Maristela Alves, 09.4.2018)






quarta-feira, 25 de abril de 2018

TEMPOS EM BAND




O sol cai de viés sobre Band
Dourando-a de silente saudade
E me leva para os tempos em que
No final da tarde era bonito ver
A poeira de suas ruas misturadas
Aos matizes do sol poente.

Bordo retratos dessas tardes
Na periferia dos meus sentimentos,
Sei que logo poderei revê-las
Numa despedida purpurina
Na amplidão do horizonte.

Recordo-me nostálgica
Desse tempo de menina
Em que me deleitava na poesia
Das lamparinas acesas
Rodeadas de mariposas
Enfeitando as casas de madeira.

Tempo das noites de medo
Depois da contação
De causos de assombração
Sob seu céu enluarado.

Tempos da voz da esperança
No alto-falante da matriz
Anunciando a Ave-Maria
Num sotaque italiano.

Tempos dos guavirais perfumados
Onde a criançada fazia festa
Nas tardes mornas de domingo.

Tempos de gente simples
Sentadas à porta de suas casas
Proseando descomplicadamente
E saboreando o amargo do mate
Tomado sem pressa.

Tempos de criança brejeira
Tomando banho de chuva
E correndo na enxurrada
Nas tardes de final de verão.

Tempos de Band...

Tempos eternizados na alma !

                                                           (Maristela Alves 02.3.2018)

sexta-feira, 16 de março de 2018

ELA (À todas as mulheres que como eu sabem que não basta somente resistir mas, também, florescer).


                                                                                                                                   Crédito da foto: Dasayev Teixeira
Ela acordou borboleta
E se deixou levar
Na vastidão do céu azul
Como anjo de asas transparentes!

No desvelo dos seus dias:

Despertou o sono do poeta
Bailando sozinha
Na magnitude prateada
Das noites enluaradas do cerrado!

Fugiu da chuva,
Abraçou o sol,
De soslaio viu o tempo
Que lhe sorria finamente
E teve prazer na contemplação!

Costurou sorrisos às lágrimas
Quando a vida esteve escura,
Aprendeu a falar em Deus
No silencio do seu quarto

Desatou os nós de raiva
Quando a desilusão bateu a sua porta,
Recolheu os pedaços soltos de si
Em meio às pesadas nuvens de medo!

Fotografou as palavras
Onde a saudade fez morada,
E espalhou seus encantos
Nas insones manhãs de outono!

Aprendeu a caminhar só
Nos meandros do tempo,
Guardou com esmero suas alegrias
E desocupou-se do passado exíguo!

Acenou entre os muros chanfrados
Dos mistérios guardados a sete chaves
E sumiu na moldura de luz do corredor
Iluminada apenas pela palidez da lâmpada!
                                                 (Maristela Alves, 12.03.2018)


domingo, 4 de março de 2018

COM VOCÊ / POR VOCÊ (Para homenagear meu bebezão,uma das pessoas que mais amo na vida, que me ensina a superar meus limites)













Com você
Fiz trilhas na Serra do Mar
Em plena mata atlântica
E me extasiei com a beleza escondida
Da praia do cedrinho em Ubatuba
Onde céu e mar se encontram
Na quietude do dia.

Por você
Desfilei num dia frio de -4ºc
pela Champs de Mars
Galguei os 324 m da Tour Eiffel
Afagando o medo de altura,
E depois sosseguei a alma
Na musicalidade dos sinos
Da majestosa Notredame!

Com você
Divaguei pelos anais
Do Império Romano
Ora em meio às ruínas do Coliseu
E seus fóruns Romano e Palatino
Ora em meio aos segredos
Escondidos em cada canto
Da fascinante Roma.

Por você
Naveguei pelos canais
Da “La Sereníssima” Veneza
Em romântica gôndola
Segurando na mão
Um coração apaixonado
Pela beleza italiana. 

Com você
Andei pelas gregas ruas de Atenas
Comprei livros em sebos a céu aberto
E admirei do terraço da casa de Helena
As encantadoras ruínas da Acrópole
E o seu Parthenon.

Com você
Sobrevoei o mediterrâneo
E enchi os olhos de um azul infinito
No vilarejo mais bonito de Santorini
Com suas casinhas brancas e
Igrejas de cúpulas azuis
Que servem de cenário ao pôr de sol
Mais poético do universo.

Por você 
Atravessei a Suíça de trem
Da Cidade luz a Veneza
Como nos antigos filmes
Das tardes de domingo na TV.

Com você
Sou infinito sem fronteiras...
                                         (Maristela Alves)