sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

VOA BAILARINA (À bailarina Magiu pelos seus 15 anos)

                                                                                       foto by Marcos Rocha e Patrícia Otsubo

No azul da mocidade as asas soltam,
E voa com doçura a bailarina
Como se tivesse o infinito nas mãos
Com leveza de borboleta
E encanto de menina!

Perfumando nas tardes do cerrado
Voa a bailarina nas notas da canção
Como flor do cerrado solta ao vento
Bailando por entre as flores
Encantando meu coração!

Com as sapatilhas atadas aos pés
Voa devagar, quase não pisa no chão,
No palco das minhas lembranças
Com passos suaves e elegantes
Purpurina de paz meu coração!

E como chuva que cai de mansinho
Voa na poesia dos passos que traça
Imponente na amplidão do céu
Livre nas asas da imaginação
Rodopia meus sonhos com graça!

Menina que sorri feito sol de verão
Ora bailarina, ora borboleta em flor
Encanta como os sinos de Jerusalém,
Tem no rosto o mais belo dos sorrisos
E nos pés a magia do amor!

Voa, bailarina, voa...

(Poema inspirado na foto do ensaio da bailarina Magiu, pelos seus 15 anos/filha da amiga Tainara Bonaldi)


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

OLHOS QUE SÃO POESIA

                              Imagem copiada da Internet_103-Year-Old Lady From The Rengao Ethnic Group (Vietnam)
A poesia começa no olhar de paz
Que faz amanhecer o dia
Com céu azulzinho pintado a mão
E sol que ilumina o caminho de volta
Despertando inúmeras belezas.
A beleza da vida se esconde ali
Nas linhas que o tempo marcou
E que foi aos poucos ensinando
A tapar os ouvidos e a fechar a boca
Como sinais de sabedoria diária.
Nas mãos o encantamento da idade
Bordados com pontos perfeitos
Dentro da fugacidade da vida
Que voa feito pássaro encantado.
E quando ela sorri com os olhos
Como se o sol deitasse morno em sua face
Irradia a magia das estrelas que bailam
Suspensas nas noites escuras.
Já não há mais a vivacidade de antes
Nem as borboletas voando no jardim
Só as lembranças que insistem
Em assistir o sol se pôr.
Agora os seus dias são sempre assim,
Observando as reentrâncias e curvas
E sonhando conhecer a terra de Jesus
Nas lonjuras do outro lado do mar
Onde as horas tem outra cor!

                                            (Maristela Alves, 22/01/2018)

domingo, 14 de janeiro de 2018

MELÍFLUA BORBOLETA (Te amarei de janeiro a janeiro até o mundo acabar)

As cores envelhecidas de domingo
Já não aquarelam nos seus olhos
E suas asas pousam sobre mim
Como arco-íris no infinito
Na tarde em que o sol doura
Os pingos da chuva que finda!

Nesses momentos em que ela mergulha
No seu universo de asas e cores
Basta-lhe o pincel e a imaginação
Para que molde a felicidade
Nas palavras doces do caminho
E me torne a mais bela obra de arte!

Têm nas mãos as ideias do coração
Quando faz firulas nas cores vivas
Que enfeita os desenhos bordados
Como sorriso que vai crescendo
E enchendo o rosto de doçura
Até parecer algodão doce rosado!

Colore a vida sem meios preâmbulos
Voando e pairando em cada flor
Não com as cores perdidas de outrora,
Mas com sonhos sonhados em voo
Que roubam os tons de azuis do céu
Para perfumar os seus jardins!

Dentro da luz tênue que ilumina à tarde
Dourando tudo de sorrisos madrigais
Vejo suas asas sobre a minha alma
Dançando feito pétalas ao vento,
Veste traços tênues de sílfides
Que só as melífluas borboletas tem.

                                                    (Maristela Alves)

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

NOSSO MENINO PASTOR (A Vinícius Galhardo que brilha em nossas vidas como estrela no céu)


Nosso menino tem sol no sorriso logo cedinho
E cheiro de chuva que chega devagarinho,
Recebeu dos céus o convite divino
De ser do cristianismo arauto e paladino!

Como espetáculo da Broadway ao anoitecer
Faz-se farol na rota de quem está a perecer,
Sem que a idade fugaz tire a cor do seu olhar
Prepara-se para a glória de Deus propagar!

Chega mais perto para contemplar a palavra
Como agricultor admira a terra que lavra
E ao ouvir a voz envolvente do Criador
Azula o coração da magnificência do amor!

E como quem visita o Muro das Lamentações
Escuta o silêncio na cacofonia dos corações,
Depois nutre de esperança a terra alheia
Com a sabedoria criança de quem semeia!

E quando vê os passos desusados do ermitão
Como beleza que se esconde no sertão,
Agradece a Deus por ter lhe escolhido
Para ser servo, ser soldado destemido!

E quando a maturidade com os anos chegar
Ao olhar o céu nas noites iluminadas de luar
Será como se o tempo não tivesse passado
Nosso menino será menino, menino prateado!

                                                  (Maristela Alves)

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

EMÍLIA (Às Emílias da EM José Bonifácio-Bandeirantes-MS)



Emília nasceu boneca de pano
Do coração menino de Lobato,
Enfeitada de retalhos de sol poente
Refletia as cores mágicas do arco-íris
Traçando uma beleza irreverente!

Com rosário de piscadas no olhar
E com sorriso de chuva fresquinha,
Tomou a pílula falante num triz
Parecia ter asas de borboleta,
Falava mais que água em chafariz!

Deitava no baú de cacarecos
Nas noites prateadas de luar,
Soletrava as estrelas no céu
Depois passarinhava pensativa
Olhando as velas sonolentas ao léu!

E com a torneira de asneiras aberta
Numa contação de histórias sem fim,
Vestia o azul da alegria no olhar
E diante de tanta belezura
Nem o silêncio conseguia se calar!

No reino das palavras inventadas
Brincou de alinhavar sua história,
De boneca de pano sem tema
Virou celebridade no mundo
Seu coração foi inteiro poema!
                                            (Maristela Alves, 24/11/2017)

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

A GAROTA MAIS BONITA QUE EU CONHEÇO (À Thábatta Campos, a menina que é pedaço de mim)

A garota mais bonita que eu conheço
Tem o acobreado de mel nos cabelos,
Tem asas de borboleta no sorriso
E, quando sorri,
Traz nos olhos a magia do amor!

A garota mais bonita que eu conheço
Tem cor de jardim nos dias de primavera
E cheiro de pôr de sol no olhar,
E, quando me olha,
Trescala minha alma nas ausências!

A garota mais bonita que eu conheço
Soa como o tilintar da chuva no telhado,
Soletra passos de dança no azul do céu,
E, quando dança,
Veste a música que embala a bailarina!

A garota mais bonita que eu conheço
Tem poesia guardada nas palavras toscas,
Tem arco-íris na maquiagem do espelho,
 Usa sapatos altos de bico fino
É mulher, ainda garota, no retrato da sala!

A garota mais bonita que eu conheço
Tem nas mãos o encantamento do amor,
Faz de abraços seu aniversário,
E, quando me abraça,
Azula de paz meu coração!

A garota mais bonita que eu conheço
É um pedaço de mim!

                                                             (Maristela Alves, 10.10.2017)

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

NA TESSITURA DA TARDE












Os créditos da imagem cabem a Marco Antônio Lemos


A tarde serena dourada no cerrado

Enfeitada pelo perfume dos ipês,
Recolho as notas do sabiá que canta
Na saudade de alguma delicadeza.
O sol agora atravessa a minha janela
Como que despedindo devagarinho,
A beleza da vida se esconde bem ali
Na suavidade morna do fim do dia.
O dourado do sol se enleia na poeira
E no repicar dos sinos da igreja,
Olho, suspirando, o infinito céu
E retrato na memória o crepúsculo.
A tarde com seus melífluos vitrais
Trescala como livro aberto no colo
E passarinha nas asas da poesia
Com os cheiros que só o vento tem.
Alinhavo no coração o azul do céu
Lembrando o frescor do mar Egeu,
E contorno com as cores do poente
A beleza que contagia minha alma!
Busco similitude na tessitura da tarde
Que borda matizes na íris dos meus olhos
E encontro um indescritível espetáculo!
                                              (Maristela Alves 13.9.17)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

PARA GANHAR DE ANIVERSÁRIO

Para ganhar de Aniversário
O perfume magistral do arco-íris
Com as cores arquitetadas da paz
É necessário tornar únicos os dias
Sem compará-los com os já vividos!

Para ganhar de Aniversário
Um novo ano pintado de sol
Com risos de beleza bárbara,
Perfeito como notas musicais
É necessário desvelo no voar!

Para ganhar de Aniversário
A beleza efêmera da lua
Nas noites cálidas do cerrado
É necessário o azul das borboletas
E tulipas amarelas na janela!

Para ganhar de Aniversário
A dança do vento nos cabelos
Voando por sobre o tempo
Sem pressa nem preâmbulos
É necessário ser farol na escuridão
Contemplando sem sono o horizonte!

Para ganhar de Aniversário
Pássaros revoando no coração
Na boemia dos rotos poemas
É necessário a magia do sol
Quando feito amor se põe
Deixando marcas no infinito!

                                  (Maristela Alves)

domingo, 18 de junho de 2017

" FLASHBACK " (Ao amigo Moisés, hoje estrela no céu).


Nessa terra de ninguém
cantou, dançou e amou.
Foi porto seguro
para os navios que aportou
E como farol que guia, brilhou!
Para colorir o céu de anil
as cores do arco-íris guardou
E como quem tem o sol no sorriso,
muito nos alegrou!
Desconstruiu o feio
Até que belo ficou,
no jardim da vida
as flores do amor plantou!
No coração, cada rosto amado
Cuidadosamente, tatuou,    
 e suas lágrimas de dor, colecionou!  
 No flashdance da vida, brindou,
Como quem ama, contemplou!
Foi  criança
 e com o tempo brincou,
Foi príncipe
e com sua princesa casou,
Foi pai, foi herói, se realizou!
A sua filha a outro príncipe
no altar entregou
E um filho de presente ganhou!
Seus sonhos de homem,    
por certo, conquistou!
Foi essencial aos olhos daqueles
a quem amou
E como estrela hoje brilha 
no céu do Criador!  

                                        (Maristela Alves)

sexta-feira, 2 de junho de 2017

A VIDA PASSA PELA JANELA( D.Leopoldina_Águas de Março_por José Medeiros)

       Os créditos da imagem cabem a José Medeiros
Os olhos negros e tímidos contemplam
Os mistérios da vida que permeiam lá fora,
Desenham o sol para colorir o vento
Que espalham de leve as flores de amora!

A beleza da vida se esconde bem ali
Onde as mãos terminam em segredo,
Voa em direção ao jardim de flores
Encurtando a tristeza em meio ao medo!

Da janela os olhos resgatam o brilho da vida
Quando tombam, arfando, ao sol poente,
E como poema de cor viva, viram borboletas,
Espetáculo alaranjado, do céu um presente!

Borboletam no prazer da contemplação
E transbordam a raridade doce da vida,
Ora como pérolas do mar azul da Grécia
Ora como sinos que na torre elucida!

As vezes musicaliza de sublime o amor
Com o olhar terno que traz dentro de si,
Põe na voz o mel de todos os engenhos
E da janela vê a vida passar sem frenesi!

A sabedoria que chega com a maturidade
Vem de mãos dadas com a poesia do olhar,
É possível nas ausências que trescala a alma
Ser pássaro que voa sem ter asas para voar!


                                           (Maristela Alves, 30.5.2017)